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sábado, 30 de novembro de 2013

Agroecologia e DRS

Novidade para os leitores da revista "Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável": encontra-se disponível o volume 6 da revista, nov/2013. A revista, publicada pela Emater/RS, traz nesta edição artigos, entrevistas e opiniões sobre assuntos de interesse para o desenvolvimento da agricultura brasileira, no âmbito agroecológico.
A edição digital da revista pode ser acessada pelo link: http://www.emater.tche.br/hotsite/revista/freepaper2/index.php?swf=../../../site/sistemas/administracao/tmp/756433010.swf&nome=Agroecologia%20e%20desenvolvimento%20rural%20sustent%E1vel
Desejo a todos uma boa leitura e que façam bom proveito do conteúdo apresentado pela revista.

domingo, 7 de julho de 2013

Revista "Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável" ed. 03/2012

Encontra-se disponível mais uma edição digital da revista "Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável", publicada pela Emater/RS. A publicação 03/2012, referente ao período set/dez 2012, apresenta diversos artigos, entrevistas, novas tecnologias, e vários outros assuntos de interesse variado, distribuídos em suas 76 páginas de conteúdo.




quarta-feira, 22 de maio de 2013

Produção agrícola pode ser sustentável



“O futuro deste sistema agrícola é muito promissor, pelo ganho ambiental que representa para o planeta”,observa agrônomo da Emater-RS





A integração entre lavoura, pecuária e floresta forma um tripé que possibilita haver no campo, um sistema de produção de riquezas sustentáveis, que preservam o meio ambiente. Atualmente, no Brasil cerca de dois milhões de hectares de chão absorvem este sistema de cultivo de grãos, produção animal e de extração de madeira. Na região, mais precisamente nos municípios de Passo Fundo e Caseiros, o processo de implantação das primeiras áreas se iniciou no ano de 2008. Em cada um dos municípios está instalada uma unidade de integração lavoura, pecuária e floresta com três hectares de área em cada uma delas. Por ser uma prática de produção sustentável, o agricultor encontra financiamentos para investir na atividade.



Quem destaca a importância dos projetos é o agrônomo do escritório da Emater-RS de Passo Fundo, Ilvandro Barreto de Mello. “O futuro deste sistema agrícola é muito promissor, pelo ganho ambiental que representa para o planeta”, salienta. Segundo ele, a técnica de integração não é uma descoberta, pois os Incas, no século XIII, já praticavam este tipo de produção sustentável. “Estamos retomando uma prática antiga e com excelentes perspectivas de, aos poucos, ir conquistando novos espaços”, projeta o agrônomo da Emater-RS.



Uma das dificuldades apontadas está relacionada com a mão de obra voltada a atividade, que exige conhecimento em três ramos de produção. “Quem está ou pretende investir no sistema precisa dominar a produção de grãos, de rebanhos e de madeiras. Em uma mesma área trabalhar com estes três itens exige conhecimento triplicado”, complementa Mello.



A integração não exige do agricultor possuir grandes áreas, porque o projeto pode ser desenvolvido e implementado em pequenos espaços como, por exemplo, das unidades de Passo Fundo - que está na localidade de Pulador - e de Caseiros. A produção integrada pode estar abrindo espaço para um novo ciclo econômico, nos campos explorados exclusivamente por atividades únicas, em uma mesma área.



De acordo com o agrônomo, como as duas unidades implantadas na região são recentes não há pelo menos no momento, como apontar qual o volume de recursos movimentado pela atividade. Nos dois exemplos a integração foi feita com produção de grãos, gado de corte e de leite e eucaliptos.



Em um dos exemplos o agricultor incorporou, no espaço de três hectares, o plantio de soja, 40 cabeças de gado leiteiro e mais 800 pés de eucalipto por hectare de área. “Até o momento, é possível perceber que os ganhos estão equilibrados como se no espaço houvesse apenas uma atividade agrícola sendo trabalhada. Existem os números dos grãos e do gado”, enfatiza Mello.



Segundo o agrônomo, a madeira já pode começar a ser explorada comercialmente, mas a tendência é que as árvores permaneçam por mais tempo no local, antes de serem comercializadas. “A opção pode ser de comercializar a madeira quando as árvores atingirem, por exemplo, 30 anos”, comenta. 



Um dos segredos para o sucesso, de acordo com as orientações do agrônomo, está no manejo correto. No plantio dos eucaliptos é observado um espaço de três metros entre as fileiras e dois metros entre as árvores, que são plantadas em linhas triplas. Já entre o conjunto de filas são deixados 14 metros, espaço destinado ao cultivo de grãos, intercalados com pastagens destinadas a rebanhos de ovinos ou bovinos. As plantas garantem aos animais sombras no período de calor excessivo. “A poda dos galhos é realizada conforme a necessidade de luminosidade no solo”, explica.



Para um resultado mais eficaz, também é indicado o controle das invasoras, que pode ser feito por roçada. É importante, ainda, controlar o ataque de formigas nas plantas destinadas a formação da mata.



O sistema integrado é visto como investimento e de grande valia para a preservação do solo. É na formação da floresta que pode estar concentrado o maior lucro da atividade. Uma das perspectivas técnicas é que no decorrer do tempo haja um avanço considerável nesse tipo de empreendimento rural, principalmente dentro daquelas propriedades em que os donos buscam uma diversificação de renda. “A assistência técnica o produtor rural tem ao seu alcance. Interessados em implantar o sistema podem buscar informações na própria Emater-RS.

22/05/2013
Redação Passo Fundo / DM

terça-feira, 14 de maio de 2013

Plantas Daninhas: O custo da resistência





Compondo o custo total, incluindo buva e azevém no Rio Grande do Sul, por causa da resistência, o gasto é de quase R$ 1 bilhão



A transgenia trouxe muitas vantagens ao homem do campo, mas também muitos problemas que hoje são difíceis de ser solucionados. O uso inadequado do glifosato, levou a resistência de algumas plantas daninhas que tem sido um grande causador do aumento no custo de produção. Os prejuízos com azevém e buva no Rio Grande do Sul, somados, chegam a quase R$ 1 bilhão.



O pesquisador da Embrapa Trigo, na área de Plantas Daninhas, Leandro Vargas explica que antes do surgimento da soja RR havia alguns problemas com relação a plantas daninhas e, a transgenia veio para solucionar a resistência aos herbicidas convencionais. No Rio Grande do Sul, a soja RR chegou em 2000 e, três anos depois já foi identificada a primeira resistência ao azevem. A partir disso, começou a se fazer alguns manejos, mas como a soja RR só foi oficializada em 2005, foram quase cinco anos em que não se pôde fazer muitos avanços tecnológicos. Nem mesmo os produtores relatavam os problemas, porque se tratava de uma soja contrabandeada da Argentina. E assim, o azevem se alastrou por todo o Estado, ficando restrito ao Sul do país, devido ao clima frio.



Em 2005, surgiu a segunda espécie resistente que foi a buva. Iniciou em Cruz Alta e se dispersou rapidamente pelo Estado, porque uma planta de buva produz mais de 200 mil sementes e é facilmente carregada pelo vento, assim, se dispersou também para Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. “A buva é um produto de exportação do RS”, declara Vargas.



O pesquisador explica que as plantas daninhas ocorrem em épocas diferentes, mas são igualmente agressivas. O azevem é de inverno atingindo culturas de inverno e a buva germina em julho e agosto, atingindo a soja e o milho.



No Rio Grande do Sul, cerca de 80% da área cultivada possui azevem e, 86% da área de soja tem buva, sendo que são 4 milhões de hectares com soja. O pesquisador diz ainda que a maior parte das áreas que tem azevém, também há buva.



Custos



O controle da buva varia de R$ 4,00, a R$ 153,00 por hectare e do azevem entre R$ 40 a R$ 130,00/ha. Compondo o custo total, incluindo buva e azevém no Rio Grande do Sul, por causa da resistência, fica entre R$ 112,9 milhões a R$ 928,2 milhões. “O gasto de quase R$ 1 bilhão no Estado, encarecendo o custo de produção devido a resistência. O lucro do produtor acaba se dissipando”, observa.



Glifosato



O pesquisador da Embrapa Trigo lembra que quando a soja RR entrou no mercado, todos agricultores começaram a usar o glifosato. E isso acontece se surgir outra tecnologia e for utilizada repetidamente também vai se tornar ineficiente. “O glifosato foi usado de forma inadequada”, observa.



Perspectiva de cultivares tolerantes a herbicidas no Brasil
Entre os temas que vão ser abordados no Encontro Nacional sobre Resistência de Plantas Daninhas, que aconteceu na quinta-feira (9) em Passo Fundo estava as novas tecnologias e o que há de novidade e suas vantagens. “Mas não temos nada de novidade, esse é o recado. O produtor rural precisa fazer manejo integrado, porque no curto prazo não há uma nova alternativa tecnológica que visa a solução da resistência de plantas daninhas”, acrescenta.



Vargas explica que antes da soja RR, os produtores rurais seguiam uma série de práticas de manejo, evitando a dispersão de plantas daninhas, utilizava culturas com espaçamento reduzido, controle mecânico, sempre associado ao controle químico. Hoje, o com o glifosato, o produtor depositou toda força no químico e deixou de lado o controle cultural, controle preventivo. Esqueceu de associar estratégias de manejo e ainda, parou de fazer a rotação cultura.



No encontro também foi explicada a importância das culturas de cobertura de solo. “Para ter o controle de buva e azevem, tem que manter o solo sempre coberto, cultivar área no inverno, com aveia por exemplo. Deixando em pousio, a área ficará tomada pelo azevem e buva e não temos herbicidas para controlar isso. Tem que cobrir essa área e não dar espaço para plantas daninhas crescerem e se desenvolverem”, ressalta o pesquisador.



Milho RR



O milho RR também teve em destaque no encontro. Se trata de uma nova ferramenta, porém, se os produtores começarem a usar soja RR seguida de milho RR, vai ocasionar um aumento no número de plantas resistentes ao glifosato. O milho RR está no mercado há cerca de dois anos, mas os produtores não estão fazendo alternância de herbicida e sim, usando culturas resistentes ao glifosato. “Assim só vai piorar a situação e vamos acabar perdendo o glifosato”, alerta.



Com essas resistências, o pesquisador diz que é importante perceber que o Plantio Direto está sendo colocado em risco. “Por isso fazemos a pergunta, será que precisamos de milho RR?”, questiona, acrescentando que “quando se faz o custo de controle do milho convencional e RR, eles ficam muito próximos, em alguns casos o milho RR é até mais caro. É uma tecnologia que chega, mas que faz nos perguntar se vale a pena, porque ela traz o problema de induzir ao uso de mais glifosato, sendo que queremos reduzi-lo, ir pelo caminho oposto”, ressalta.

14/05/2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

40 anos de Plantio Direto


O Paraná foi precursor na experimentação desta que é considerada a mais importante tecnologia implantada na agricultura brasileira





A região de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná) é a segunda na história do Plantio Direto no Brasil. A primeira é Rolândia onde o agricultor Herbert Bartz, considerado o “pai do plantio direto no Brasil” fez na safra 1972 o primeiro plantio da história com a importação de uma plantadeira dos Estados Unidos, Allis Chalmers. Depois, vieram os municípios de Campo Mourão (safra 1973), Mauá da Serra (1974) e Ponta Grossa (1976).

Desta maneira, o Paraná foi precursor na experimentação desta que é considerada a mais importante tecnologia implantada na agricultura brasileira. Herbert Bartz foi aos Estados Unidos, conheceu a técnica e a trouxe para o Brasil, que foi difundida para várias regiões produtoras.

PRECURSORES - Poucas tecnologias agrícolas têm experimentado um crescimento tão rápido em nível mundial como o plantio direto. Em Campo Mourão, a segunda região no país a praticar o sistema, o pioneirismo foi dos agricultores Joaquim Peres Montans, Antonio Álvaro Massareto e Ricardo Accioly Calderari, Gabriel Borsato e Henrique Gustavo Salonski (in memorian), – cooperados da Coamo. Em 2013, a tecnologia está comemorando 40 anos na região Centro-Oeste do Paraná, com o orgulho de ter sido o segundo município a implantar o sistema no Brasil.

INÍCIO – O engenheiro agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão, conta que o sistema de PD surgiu diante da necessidade de tornar a produção agrícola mais sustentável, buscando minimizar os custos com insumos e otimizar o aproveitamento da área de plantio. “Felizmente, este objetivo foi atingido e está completando 40 anos. Foi o grande acontecimento de exploração agrícola. É o que a ciência agronômica ofereceu de mais importante até hoje, do ponto de vista biológico, químico e físico do solo”, considera Costa. Ele acrescenta que o plantio direto é considerado como a única alternativa para a sustentabilidade da agricultura.

VANTAGENS - Com o plantio direto, o agricultor fecha o cerco contra os principais problemas que degradam o solo e ainda incrementa o sistema de produção resultando na melhoria das produtividades e racionalização dos custos. Entre as vantagens estão a garantia de redução da lixiviação de nutrientes (processo de extração de uma substância de sólido por meio da dissolução num líquido) e da erosão superficial do solo, a manutenção da vida microbiológica do solo e a garantia de uma melhor atividade dos adubos químicos e de que todas as reações químicas no solo sejam bem sucedidas. “Além é claro da questão econômica, já que o sistema consiste em reduzir o impacto ambiental causado pela agricultura”, explica.

No final da década de 70, a região de Campo Mourão contava com dez mil hectares de PD. Mas, foi a partir dos anos 80 que a tecnologia teve o seu grande momento. “Em 1984 já tínhamos catalogado na região de Campo Mourão cerca de 60 mil hectares de lavouras em PD. Hoje, o sistema ocupa praticamente 100% das áreas de cultivo da região”, comemora Costa.

Os precursores do PD na região de CM

Os resultados com o PD foram comprovados e melhorados ano após ano. Exemplo eficaz do incremento de produtividades nas lavouras da região com o uso da tecnologia está na propriedade de Joaquim Peres Montans. Ele conta que nunca mais teve suas terras aradas ou gradeadas e que na colheita de 1974 suas produtividades foram de 70 sacas de soja por alqueire, mas atualmente a média supera as 140 sacas por alqueire. “O segredo é a continuidade do sistema e não mexer no solo”, explica Montans. Orgulhoso em fazer parte deste pioneirismo no Brasil, ele afirma que o plantio direto é um revolução para os agricultores. “Hoje, 40 anos depois, com novas variedades e praticando adubação verde, rotação de culturas é uma técnica de vanguarda, podemos elevar ainda mais nossas produtividades”.

TERRAS LAVADAS - Quem comemora o sucesso da agricultura com o advento do Plantio Direto é o engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari, diretor-secretário da Coamo. “O progresso foi tão grande nos últimos 40 anos que os novos agricultores nem imaginam como eram os solos e a agricultura lá na década de 70”, diz. Calderari lembra que os agricultores na época, tinham duas grandes preocupações: precisavam de chuva, mas quando chovia, às vezes nem precisava ser muito forte, para que as terras fossem literalmente ‘lavadas’ e tudo se perdia, a lavoura e o solo. “Se existe agricultura hoje é porque existe o plantio direto”, conta.

Após quatro décadas da sua implantação, o sistema continua safra após safra sendo comemorado pelos agricultores da região de Campo Mourão. Entre os benefícios dele estão a tranquilidade e agilidade no plantio, reserva de umidade no solo, menor custo de produção, maior segurança, germinação uniforme, desenvolvimento das plantas em um mesmo padrão, tolerância ao veranico e, sobretudo, a conservação dos solos, aponta o cooperado Joaquim Montans.

SEQUESTRO DE CARBONO – O sequestro de carbono é o processo de transformar o carbono do ar (dióxido de carbono ou CO2) em acumulações de carbono no solo. O dióxido de carbono é absorvido pelas plantas através do processo de fotossíntese, e transformado em material vegetal vivo. Quando as plantas morrem, suas folhas, caules e raízes que têm bases de carbono se deterioram no solo e se transformam em substância orgânica. Para aumentar o sequestro de carbono os produtores rurais podem utilizar diversas práticas, dentre as quais estão a produção sem revolvimento do solo (plantio direto); o aumento na intensidade da rotação de culturas, a manutenção de uma área de transição entre áreas protegidas e a lavoura; medidas de conservação para reduzir a erosão do solo, além de usar cobertura permanente no solo e fazer plantio de culturas que produzam mais resíduos, como milho, sorgo e trigo. Especialistas estimam que 20% ou mais das emissões de CO2 podem ser reduzidas por meio do sequestro de carbono via agricultura.

MATÉRIA ORGÂNICA - Além de conservar e proteger o ambiente produtivo, a prática do Plantio Direto, sempre com rotação de culturas e formação de muita palha, aumenta a matéria orgânica no solo em função de vários fatores, elencados pelo engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari. “O Plantio direto melhora a estrutura, a qualidade e a produtividade do solo por meio de substância orgânica, reduz a erosão, melhora a qualidade da água. O uso do plantio direto foi determinante para ampliar o potencial do nível de matéria orgânica no solo, por isso é que o sistema é a maior revolução da agricultura e do meio ambiente”, garante Calderari.

AGROLINK
Da redação
10/05/2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia é oficialmente instalada



comissao cnapo


















Foi oficialmente instalada nesta terça-feira (20/11), no auditório do anexo do Palácio do Planalto, em Brasília, a Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, responsável por articular governo e sociedade civil na elaboração do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. A solenidade contou com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Mendes Ribeiro (Agricultura), além de representantes da sociedade civil.
De acordo com Gilberto Carvalho, a ambição do governo federal é mudar a cultura tanto dos produtores como dos consumidores no incentivo do cultivo de produtos orgânicos. “O que queremos é mudar a lógica, o modo de vida, o consumo e a propriedade, possibilitando incluir os sem terra, indígenas e quilombolas” disse o ministro. Carvalho afirmou que a presença dos ministros na solenidade demonstra que “o governo está fazendo uma escolha” e lembrou que o papel da Secretaria-Geral da Presidência da República na Comissão é “possibilitar a participação”. “Este trabalho não pode ser feito sem a sociedade”, concluiu.
O ministro Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) lembrou da necessidade de reforçar a pesquisa e a produção de conhecimento da agricultura orgânica e da agroecologia. O ministro afirmou que é essencial que os ministérios envolvidos possam construir políticas públicas voltadas para a comercialização, produção e capacitação. Já a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) lembrou do esforço do governo em conciliar o social e o ambiental. “O Brasil não precisa ser campeão do uso de agrotóxicos para produzir alimentos para o mundo”, disse. “É preciso mostrar à sociedade brasileira que podemos implementar a produção de alimentos protegendo o meio ambiente, desde a questão da água até o uso excessivo de agrotóxicos”, concluiu.
Selvino Heck, secretário-executivo da Comissão, representando a Secretaria-Geral da Presidência da República, enfatizou os objetivos centrais dos trabalhos. “Nossa meta é promover a participação da sociedade na elaboração do Plano e da Política de Agroecologia”. A Comissão é formada por representantes de 14 órgãos e entidades do Executivo federal e por 14 entidades titulares e 14 entidades suplentes representantes da sociedade civil.
Sociedade Civil – O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Francisco Dal Chiavon, afirmou que é preciso fazer mudanças no modelo de produção agrícola para implementar a agroecologia. Segundo ele, a alimentação é questão de segurança nacional e que o Estado tem papel fundamental em construir um novo sistema que incentive a produção orgânica. Romeu Leite, integrante da Câmara Temática da Agricultura Orgânica, ressaltou que a criação da Comissão é um momento histórico. Leite, entretanto, citou algumas dificuldades a serem enfrentadas pelos produtores orgânicos, como a falta de sementes, já que no mercado só se encontram sementes transgênicas, a ausência de capacitação e de assistência técnicas.
Decreto da presidenta Dilma Rousseff instituiu em 21/08/12 a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). O documento prevê a elaboração de um plano com metas e prazos a serem cumpridos pelo governo federal e determinou elementos como a concessão de crédito, seguro, assistência técnica e pesquisa para ampliar a produção de base agroecológica no Brasil.
A Política Nacional de Agroecologia foi formulada de forma participativa, com engajamento da sociedade civil. Além da incorporação das pautas de movimentos sociais, a participação da sociedade civil se deu por meio de um seminário nacional e cinco seminários regionais coordenados pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com apoio do Ministério do Meio Ambiente. As Comissões Estaduais da Produção Orgânica (CPOrg) e a Câmara Temática da Agricultura Orgânica (CTAO) também integraram o processo. Participam ainda entidades como Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de técnicos de vários ministérios e órgãos públicos.
Em maio deste ano, a Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, implementou o Plano de Mobilização e Participação Social para a Agroecologia. Foi promovido o encontro ‘Diálogos Governo e Sociedade Civil’ para debater o conteúdo do decreto, a estrutura de governança da política e colher subsídios para o Plano. Um grupo de trabalho composto por dez ministérios e órgãos públicos, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, consolidou a proposta.
Histórico – A pauta de incentivo à produção orgânica é reivindicação de diversos movimentos sociais do campo e foi apresentada à presidenta Dilma Rousseff durante a Marcha das Margaridas de 2011. Promovida pela Contag, a Marcha contou com a participação de 70 mil trabalhadoras. Na ocasião, a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso de determinar que o governo construísse uma política de agroecologia em diálogo com os movimentos sociais. A iniciativa atende também às demandas da juventude rural apresentadas durante a 2ª Conferência Nacional da Juventude, com iniciativas que articulam formação, troca de experiência e fomento direto a práticas para fortalecer a geração de renda.
Vantagens – De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), a produção agroecológica e orgânica é livre de agrotóxicos e prima pelo uso racional dos recursos naturais, como a água e o solo. A Política beneficia principalmente a agricultura familiar, maior produtora de orgânicos e produtos agroecológicos do país. O mercado para estes produtos vem crescendo a taxas de dois dígitos no país e no mundo. No Brasil, o mercado expande cerca de 20% ao ano – acima da taxa mundial, de 15%. O mercado nacional ainda tem bastante espaço para crescer – hoje são aproximadamente R$ 400 milhões, valor ainda pequeno se comparado aos mais de R$ 80 bilhões do mercado externo. Com maior estruturação, os agricultores familiares podem exportar seus produtos. O MDA estima que existam no país mais de 90 mil produtores agroecológicos, dos quais 85% são agricultores familiares.

22/11/2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Portaria orienta plantio de prática sustentável


Zoneamento é um importante instrumento na contratação de crédito de custeio agrícola e seguro rural



O zoneamento agrícola de risco climático para a cultura de milho consorciado com braquiária, utilizado em práticas sustentáveis como no Sistema de Plantio Direto, para oito estados foi divulgado na quinta-feira, 13 de dezembro, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram anunciados, ainda, os zoneamentos para amendoim, aveia, canola, cevada (de sequeiro e irrigada), feijão (3ª safra e caupi), milho e trigo (de sequeiro e irrigado).



A divulgação do zoneamento agrícola identifica os municípios aptos em 17 estados e os períodos de semeadura com menor risco climático para o cultivo das culturas nos estados brasileiros. O zoneamento é um importante instrumento na contratação de crédito de custeio agrícola e seguro rural. É por meio dele que são indicados os municípios e os períodos de plantio com menores riscos climáticos para o cultivo de cada cultura e variedade.



O consórcio de braquiária com o milho, em sistema plantio direto, vem sendo mais utilizado no cultivo do milho 2ª safra. Esse plantio é possível devido ao diferencial de tempo e espaço no acúmulo de biomassa entre as espécies.



Os efeitos desse tipo de cultivo sustentável – como a reciclagem de nutrientes, acúmulo de palha na superfície, melhoria da parte física do solo e pela incorporação e acúmulo de matéria orgânica – são benéficos para os plantios subsequentes, em especial para os de soja, contribuindo para o aumento de produtividade.



Há dois anos, o Mapa tem divulgado os zoneamentos de cultivos consorciados para apoiar os produtores que adotam – ou querem adotar – práticas sustentáveis em suas propriedades.



Acesse aqui (http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=13/12/2012&jornal=1&pagina=16&totalArquivos=336) e leia na íntegra as portarias publicadas no DOU sobre o zoneamento das culturas para cada estado.

14/12/2012
Min. da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

sábado, 8 de dezembro de 2012

Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável


Para os que curtem a revista "Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável", publicada pela EMATER/RS, e mesmo para os que ainda não conhecem a revista, encontra-se disponível a versão digital da edição 02/2012, do mês de agosto do mesmo ano.




Para quem tiver interesse em visualizar as demais edições anteriores, as mesmas se encontram disponíveis neste link:

http://www.emater.tche.br/hotsite/revista/

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Exóticas e invasoras


Xico Graziano

Existe uma repulsa dos ambientalistas brasileiros contra as plantas chamadas exóticas. Sua posição, radical, idolatra a vegetação nativa


O assunto virou tabu: espécie exótica é do mal; nativa, do bem. Polarização falaciosaEspécies exóticas, sejam plantas ou animais, consideram-se as originadas nos ecossistemas de regiões distintas da local, ou seja, estrangeiras. São exóticas no Brasil, por exemplo, as árvores típicas da Europa, como o cipreste italiano. Da mesma forma, vieram de longe para a arborização urbana a enorme tipuana (argentina), o lindo flamboyant (africano), a falsa-seringueira (asiática) e o álamo (canadense). Apenas a sibipiruna ou os coloridos ipês são nativos do Brasil. Nenhum cidadão discrimina a sombra fresca que todas oferecem ao calor do asfalto.

Imperam também, dentre as frutas encontradas na mesa dos brasileiros, as variedades importadas. A banana, a laranja e o figo têm origem na Ásia, enquanto o abacate e o abacaxi vieram da América Central. Variadas origens caracterizam a fruticultura, como no caso da melancia (africana), da manga e da jaca (indianas), da maçã (siberiana), do caqui e do pêssego (chineses), da uva (do Oriente Médio), do moranguinho (europeu).

O mamão é americano. Latino-americanas são a pitanga e a goiaba. Brasileira, mesmo, fica a jabuticaba.Assunto curioso. Veja o caso de verduras e legumes. Nesses vegetais se destacam as exóticas cebola e alface (asiáticas), a berinjela e o pepino (indianos), a cenoura, a beterraba e a couve (mediterrâneas), o cará, o maxixe e o quiabo (africanos). Restam como latino-americanos o chuchu, a abóbora e o pimentão. Sul-americano, sabidamente, apenas o tomate.

Interessante é saber que exótica é também boa parte dos grãos que alimentam o povo, a começar do arroz, da soja (asiáticos) e do trigo, cujas origens se encontram na Europa e na Ásia. Amendoim, girassol, batata e milho, por sua vez, surgiram originalmente nas montanhas andinas da América. O café, bebida adorada pelos brasileiros, nasceu na África, a cana-de-açúcar veio da Índia e o feijão, típico do prato nacional, tem origem difusa em vários continentes. Verde-amarela, essa, sim, resta a mandioca, aqui relatada desde Pero Vaz de Caminha.

Normalmente as pessoas desconhecem a origem dos alimentos. Isso, entretanto, não as impede, nem aos próprios ecologistas radicais, de consumi-los com apetite, independentemente da procedência. Saborosos e nutritivos, todos têm sido fundamentais para a qualidade de vida dos povos. Fruto do trabalho da agronomia, caíram no gosto popular e se tornaram cosmopolitas. Viajaram o mundo.

Existe um sentido mais restrito para o conceito de planta exótica. Também é considerado dentro de um mesmo país, ou região, para se referir às espécies que, embora do mesmo país, tenham origem num bioma distinto do local. Assim, no território de São Paulo, situado no bioma da Mata Atlântica, considera-se exótica a seringueira, eis que nativa do bioma da Amazônia. Vejam outros casos. No Nordeste, ao contrário do que muitos pensam, o praiano caju é exótico, pois sua origem está na Floresta Amazônica; idem o cacau, que, embora seja também amazônico, adorou viver nas terras de Ilhéus. O coco-da-baía, destarte, ostenta no nome a terra de Jorge Amado, mas chegou da África, trazido pelas correntes marinhas. Inusitado.

Na recente discussão sobre o Código Florestal, o assunto da vegetação exótica tomou destaque. Propunha-se que, sob certas condições, plantações frutíferas ou silvícolas pudessem ser utilizadas para ajudar na recomposição de áreas de preservação permanente, mormente as próximas dos cursos dágua. Além de proteger as beiradas dos córregos, teriam função produtiva. Ganha a natureza, ganha o agricultor.

Houve, porém, forte restrição dos puritanos ambientais. O temor ecológico contra as plantas exóticas advém, primeiro, do fato de que, sendo estranhas à flora nativa, elas não participam das cadeias produtivas alimentares, pouco auxiliando na vida silvestre. Segundo, as espécies retiradas de seu ecossistema nativo se livram de predadores e parasitas naturais, que lá controlam sua população. Livres de competidores, podem se multiplicar exageradamente, prejudicando a flora e a fauna locais.

Esse fenômeno, que caracteriza as chamadas plantas "invasoras", é tido pelos estudiosos como a segunda maior ameaça mundial à biodiversidade, perdendo somente para a exploração humana na destruição dos hábitats naturais. A gravidade da contaminação biológica causada por espécies exóticas motivou a ONU a criar, em 1997, um programa específico para enfrentá-la. A matéria, complexa, caiu nas graças dos ecoterroristas, os que pregam a catástrofe planetária.

Em muitos casos, providências, algumas drásticas, precisam ser tomadas para impedir a invasão dos ecossistemas. Mas, embora exóticas, as plantas podem servir ao bem. Basta monitorar, se necessário controlar, pôr a técnica acima do preconceito ecológico. Nas áreas degradadas, algumas espécies florestais podem servir como "pioneiras", sombreando as mudas nativas para que cresçam melhor, favorecendo o processo de recuperação ambiental. Por essa razão, o novo Código Florestal acabou permitindo, de forma restrita, o uso das exóticas em sistemas misturados com espécies nativas.

Na Serra do Mar paulista, entre Mogi das Cruzes e Bertioga, surpreendente recuperação da Mata Atlântica se verifica nas sombras dos antigos eucaliptais, raleados, mantidos pela Suzano, empresa de celulose. A silvicultura inteligente cria uma segunda natureza, que ajuda, e não atrapalha, a civilização humana.

O Estado de São Paulo
13/11/2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Agricultura e as soluções sustentáveis


Acabamos de assistir à concorrida Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, marcando os vinte anos de realização da Eco-92. Vem se formando o consenso, e espera-se que a Conferência no Rio de Janeiro tenha sido enfática neste rumo, de que conservar a natureza e promover o desenvolvimento socioeconômico são rumos necessários e absolutamente possíveis. Uma das respostas está na agropecuária, atividade estratégica para a maioria dos países, inclusive os desenvolvidos – apenas para citar alguns exemplos, como Estados Unidos, França e Japão, o que desmistifica o equívoco de considerá-la importante apenas nos países menos desenvolvidos. A produção agrícola que alia os manejos sustentáveis à imprescindível eficiência tecnológica é a melhor tradução dos conceitos de sustentabilidade e, o mais recente, a chamada Economia Verde, que norteiam os debates na Rio+20. 

Porque a razão do planeta são seus habitantes, os desafios colocados exigem uma agenda positiva que compreenda e valorize a missão crucial da agricultura. Para poupar recursos naturais – terra, água e energia – o aumento deverá ocorrer via produtividade das lavouras, daí o essencial papel das inovações tecnológicas. Não há como falar em Economia Verde sem a participação de agricultores sustentavelmente competitivos.

Há cerca de duas décadas, começaram a ganhar força os arranjos estratégicos envolvendo entidades do setor, comunidade científica, institutos de pesquisa, órgãos de governos e empresas. Devido ao desmantelamento dos programas de extensão rural no País, após a extinção da Embrater, Empresa Brasileira de Extensão Rural, em 1990, diversos setores representativos do agronegócio vêm contribuindo de maneira notável na empreitada de levar ao campo a extensão do conhecimento a milhares de agricultores e, com isso, melhores perspectivas para o seu sucesso na atividade. 

Cite-se, como exemplo, o empenho das indústrias de defensivos agrícolas, juntamente com as revendas agropecuárias, cooperativas e as centrais vinculadas ao Instituto de Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev). Entre os anos de 2005 e 2011 foi alcançado o expressivo número de 12.128.181 pessoas treinadas e impactadas. Iniciativas como essa apontam o rumo que norteou as discussões na Conferência das Nações Unidas, a Rio+20. Afinal, do campo vêm alimentos, fibras e matérias-primas vegetais renováveis para produção de energia para o mundo. Portanto, a agricultura é o centro das soluções sustentáveis. 

João Sereno Lammel
Presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal/Andef