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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Alga: o novo ingrediente mundial para alimentação animal?



O interesse sobre a utilização de algas em alimentação animal não é novo. Porém, recentemente, este interesse explodiu em forma de diversos estudos e projetos pelo mundo em busca do valor da alga como um possível ingrediente para rações.

De acordo com o artigo “Algae - the new universal feed ingredient?”, do especialista americano Ioannis Mavromichalis, PhD em Nutrição Animal, a alga é um ingrediente relativamente barato, abundante e fácil de se cultivar. “No entanto, a alga ainda não é reconhecida e é muito pouco explorada”, destaca. “Dessa forma, o foco em seu interesse como componente alternativo para a nutrição animal vem aumentando significativamente, já que os preços exorbitantes de cereais comuns às rações de aves, como o milho e a soja, não param de subir”.

Do ponto de vista nuticional, Mavromichalis diz que a alga contém acima de 40% de proteína (dependendo de sua espécie), e quantidades significativas de minerais e vitaminas. “O seu particular interesse está sobre o seu conteúdo de minerais, que pode ser superior a 30% e isto pode ser usado de forma vantajosa na formulação de rações, substituindo ingredientes de custo mais altos como premixes minerais e fosfato de sal”.

No entanto, como qualquer outro ingrediente, as algas não vêm sem os seus próprios problemas. Neste caso, o principal problema é a quantidade de fibras em su composição, que pode ser bastante elevada (mais uma vez, dependendo da espécie). “Todavia, aqui encontra-se a oportunidade para os fabricantes de enzimas em prever o futuro e preparar produtos adequados para quebrar as novas fibras encontradas em algas”, indica o especialista. “Acredito que as algas, em breve, farão parte da maioria das dietas de animais em todo o mundo. Mas isso ainda é um ponto a ser bastante discutido”.

O artigo em inglês pode ser acessado neste link.

11/06/2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Nem tudo é leite, nem tudo é fraude



Não tem nada a ver com rebanho, muito menos com o produtor. O problema está fora da porteira. Ainda assim, infelizmente, não há como dissociar a ação da reação em todos os elos da cadeia produtiva. Colocar o leite sob suspeita é provocar prejuízos inestimáveis, como também incalculáveis, do campo à mesa do consumidor. A causa, porém, inquestionável, é mais que legítima. Ou seja, a operação Leite Compensado vai muito além da fraude pelo benefício econômico. Ao envolver questões de segurança alimentar, o crime torna-se qualificado, por atentar contra a saúde pública e o bem-estar da população.



O importante é separar o joio do trigo, o leite bom do leite ruim, as boas empresas e boas marcas daquelas oportunistas, irresponsáveis e descomprometidas com a cadeia produtiva. Como fazer isso? O Ministério Público, a Justiça e a autoridade policial têm a competência legal para identificar, corrigir e punir pessoas e empresas envolvidas. Mas como ficam os produtores de leite, as cooperativas e laticínios idôneos? Quem não deve não teme, é verdade. Mas neste caso, direta ou indiretamente paga o preço junto com aqueles que agiram de má-fé.



É preciso entender e compreender que tem muita empresa boa no mercado. O produto ruim, adulterado, é que é a exceção. E uma forma de reduzir o impacto negativo em toda a cadeia é a conscientização e o esclarecimento da população de que nem tudo é fraude. Do lado das autoridades é preciso rapidez na apuração dos fatos, do inquérito policial à agilidade no resultado das amostras das análises dos investigados. Se há laticínios e pessoas alegando inocência, quanto mais demorada for a investigação, maior o prejuízo financeiro e à imagem dessas empresas, do produtor e da atividade.



O produtor que entrega ou entregava leite para as empresas que estão sendo investigadas é o primeiro impactado. Com o recolhimento das marcas sob suspeita cai consumo, reduz ou cessa a atividade industrial e, por consequência, a captação. Na ponta do consumidor, inevitável a sensação de insegurança, que afeta e reduz o consumo do produto mais nobre da dieta alimentar da população, no Brasil e no mundo. Assim, a retomada, o resgate da indústria do leite depende primeiramente da celeridade das investigações e da punição dos responsáveis, sejam eles pessoas ou empresas, o público ou o privado.



Por que o público? Porque se há fraude é porque há falhas no processo de inspeção e rastreamento do produto e cabe aos órgãos públicos, em especial ao Ministério da Agricultura (Mapa), garantir a sanidade dos produtos agropecuários. Se do lado do privado adulterar é crime, ao permitir a fraude o público é, no mínimo, corresponsável, mesmo que involuntariamente – embora não esteja descartada a participação de fiscais do Mapa no esquema. Até porque não dá para imaginar que milhões de litros de leite saiam das propriedades, cheguem à indústria e vão parar nas gôndolas dos supermercados sem a devida inspeção e fiscalização.



Paraná e Rio Grande do Sul, estados que estão no centro da crise, são responsáveis pela produção de quase 8 bilhões de litros por ano. Eles dividem a segunda colocação no ranking nacional de produção. O primeiro colocado é Minas Gerais, terra do atual ministro da Agricultura, Antônio Andrade, com quase 9 bilhões de litros por ano. O próprio ministro, inclusive, é produtor de leite. Ou seja, o leite produzido no Sul, assim como a fraude que está sendo investigada, não é um problema somente dos estados do Sul. Depois de industrializado, o produto é distribuído para vários estados brasileiros. Isso quando não é exportado, na versão em pó ou de outros derivados, como queijo ou bebidas lácteas.



O Paraná também detém o status de uma das maiores e mais tecnificadas bacias leiteiras do país. A Região dos Campos Gerais, berço da imigração holandesa, tem um dos rebanhos mais produtivos, conduzidos pelas cooperativas Capal, Castrolanda e Batavo. A produção e industrialização de leite estão no DNA dessas comunidades. O negócio deles é leite, com o diferencial de que eles estão em todos os elos da cadeia produtiva, o que limita as possibilidades de fraude. Há maior controle de todas as etapas da produção, do campo ao laticínio, quase que sem atravessadores. Não dá, portanto, para comparar os diferentes como iguais. Não dá para deixar de tomar leite por causa de uma ou outra empresa, de uma ou outra pessoa.



Bem como não dá para ignorar que há falhas no processo que precisam ser corrigidas. Controlar e rastrear a produção é o mínimo que se espera das autoridades. Ninguém está livre dos criminosos de plantão. Mas adulterar milhões de litros não é o mesmo que fraudar o produto que sai de uma fazenda ou que chega na casa de um consumidor. Estamos falando de milhares de produtores e de milhões de consumidores. Aliás, esta aí a pergunta a ser respondida. Como e há quanto tempo isso tem sido permitido?

28/05/2013
Giovani Ferreira

Mais um momento para repensar o leite no Brasil



Os recentes episódios envolvendo fraudes no transporte de leite no Rio Grande do Sul, caprichosamente às vesperas do Dia das Mães, expuseram mais uma vez fragilidades na cadeia de fornecimento de leite e nos remeteram de volta a 2007, quando foi deflagrada a Operação Ouro Branco, nos dando a talvez falsa sensação de que, nesses 6 anos, pouco avançamos nesse quesito.

Garantir a qualidade não é tarefa fácil em um mundo globalizado. Com cadeias de suprimento cada vez mais longas e com o aumento da escala, perde-se o contato com etapas de produção que, antes, eram acompanhadas de perto pelas empresas. Tivemos recentemente o caso da carne de cavalo na Europa; uma empresa processa, vende para outra, o produto é embalado com uma marca de um terceiro e, finalmente, ganha o mercado. Não raro, um produto alimentício tem ingredientes provenientes de diversos países, como uma linha de montagem global. 

Garantir a qualidade e a conformidade de cada ingrediente e de cada etapa de produção passa a ser um significativo desafio, ainda mais quando a busca incessante por custos mais baixos para competir faz com que fornecedores digamos, menos tradicionais, sejam selecionados – como foi o caso da carne romena, que continha carne eqüina no meio da bovina. O problema é que esse produto, ao ser embalado sob determinada marca, evidentemente passa a ser identificado como tal junto ao mercado. A solução passa por um rigoroso processo de certificação dos fornecedores, além de monitoramento da qualidade, o que gera custos extras que, no curto prazo, pressionam os resultados, mas que, no longo prazo, garantem a sustentabilidade do negócio.

Em 2008, na China, um episódio de fraude na cadeia do leite gerou efeitos que perduram até hoje. Naquele episódio, intermediários utilizaram melamina, um produto que eleva a proteína do leite e, de quebra, gera falência renal para quem o consome. 

Mais de 200 mil bebês foram afetados, já que o produto foi vendido para uso em fórmulas infantis, ironicamente onde mais se agrega valor quando se pensa em uso nobre para o leite em pó. Empresas quebraram, a produção estacionou e abriu-se espaço para o aumento das importações, resultando assim em grande parte do volume importado pela China desde então, fazendo a festa dos neozelandeses e norte-americanos que ocuparam este mercado. O chinês perdeu a confiança no produto nacional e prefere pagar um prêmio pelo produto importado. Para refletir.



Marcelo Pereira de Carvalho
21/05/2013
Milkpoint

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Em parceria com MDA, Programa Leite Gaúcho capacita mais de 30 mil famílias de agricultores



Um ano após ter sido implantado pelo governo do Rio Grande do Sul com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e outros parceiros, o Programa Leite Gaúcho comemora resultados positivos e metas alcançadas.

Com a contribuição do Leite Gaúcho, que já tem 40 mil produtores cadastrados por meio de 70 cooperativas, a produção estadual este ano atingiu dez milhões de litros/dia, o que representa um aumento de 11% em relação aos nove milhões de litros/dia de 2011. O que colabora, em muito, para a produção nacional.

Além de aumentar a renda e a produtividade dos agricultores de base familiar, e de melhorar, substancialmente, a qualidade do leite no estado, o programa contribui com projetos de combate à pobreza extrema, por meio de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), capacitação, monitoramento da produção e acesso a crédito subsidiado entre outras.

O MDA apoia a qualificação e capacitação dos produtores por meio de chamadas públicas para prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). No estado, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), em um ano, beneficiou 30 mil produtores de leite com ações de qualificação da produção e capacitação.

Parceiros
O MDA e os ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da Educação (MEC/FNDE) têm papel fundamental na implementação do programa com investimentos para sua execução, bem como na garantia de acesso a mercado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

No caso do MDA, além da Ater, uma das contribuições mais importantes para o êxito do Leite Gaúcho vem do programa de entrega de retroescavadeiras, que integra as ações da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) e ajuda a melhorar as condições das estradas vicinais. A ação facilita o escoamento da produção nos municípios onde a produção agrícola é essencialmente proveniente da agricultura familiar e melhora, também, o acesso da juventude rural à rede de ensino estadual.

Público-alvo
O público-alvo do Programa são os produtores que já se encontram na atividade leiteira, mas o Leite Gaúcho também visa atrair novas famílias, assentadas da reforma agrária e do crédito fundiário, além de quilombolas e indígenas. Outro público-alvo são ex-produtores de tabaco que, deste modo, podem aproveitar a oportunidade de ingressar em uma atividade com retorno imediato, renda mensal e mercado assegurado.

De acordo com o diretor da Secretaria de Desenvolvimento Rural, da Pesca e Cooperativismo (SDR) do Rio Grande do Sul, José Adelmar Batista, que também é diretor da Agricultura Familiar do estado e coordenador do Leite Gaúcho, os serviços de Ater são de grande relevância para o Programa.

Batista destaca que, para aumentar a produtividade, é preciso um trabalho de melhoramento genético e de manejo da alimentação animal, o que só é possível por meio de cursos para que o agricultor possa entender melhor o que ele precisa melhorar. “Às vezes, o agricultor fica parado numa atividade que não está dando lucro simplesmente por falta de capacitação ou de uma qualificação melhor”, explica.

A produtividade do gado leiteiro gaúcho é uma das maiores do Brasil, chegando a 2.336 litros/vaca ordenhada por ano. No entanto, menos de 50% do leite produzido se enquadra nas exigências da legislação federal vigente que trata da normas da produção nacional de leite. Existem, no Rio Grande do Sul, 441 mil estabelecimentos rurais e 134 mil produtores de leite, onde 70% comercializam menos de 100 litros/dia, segundo o mais recente Censo Agropecuário, de 2006.

Esse é o motivo, segundo José Batista, de um dos focos prioritários do programa estar centrado na qualidade. “Nós queremos que os agricultores se adaptem, o quanto antes, às exigências estabelecidas pela nova Instrução Normativa nº 62, publicada em 30 de dezembro de 2011 no Diário Oficial da União”, frisa o diretor da SDR.

Zoonoses
O Leite Gaúcho também dedica capítulo especial à questão das doenças provocadas em seres humanos por microorganismos presentes no leite e seus derivados, uma vez que, embora sejam produzidos por animais saudáveis, a contaminação pode ocorrer. Neste item, o Rio Grande do Sul conta com a vantagem de ser pioneiro no controle de zoonoses, tendo erradicado em alguns territórios doenças como a brucelose e a tuberculose.

Como participar
Para ingressar no programa, os produtores precisam estar enquadrados na Lei da Agricultura Familiar, além de se cadastrarem junto ao escritório local da Emater, por meio de cooperativas e empresas de produtos lácteos participantes do Programa.

O acesso é livre e gratuito. Segundo José Batista, o único custo é o do deslocamento do agricultor da propriedade dele até a cidade onde ocorre a capacitação. “Mas se houver necessidade de se deslocar até uma cidade que não seja muito distante, o transporte poderá ser feito de graça por meio da parceria com associações e cooperativas”, informa.

Para saber mais sobre o programa, basta acessar o site www.sdr.rs.gov.br ou solicitar informações pelo e-mail leitegaucho@sdr.rs.gov.br.


Brasília, DF
05/10/2012