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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

“Água em pó” – Solução para a seca nas plantações?



“Água em pó” – Solução para a seca nas plantações?


Um produto desenvolvido pelo engenheiro químico Sergio Jésus Rico Velasco está provocando as mais diversas reações em função do potencial que a descoberta pode trazer à agricultura mundial. A chamada “Solid Rain” (Chuva Sólida, em tradução livre) seria uma espécie de “água em pó” capaz de absorver enorme quantidade de líquido, sendo liberada aos poucos para garantir a sobrevivência das plantas em meio a uma seca.

De acordo com os criadores, “Solid Rain” seria capaz de absorver até 500 vezes o seu tamanho, ou seja: apenas 10 gramas do produto absorveriam um litro de água. Trata-se de um tipo de polímero à base de potássio em pó que, distribuído pelo solo, manteria o terreno úmido por anos, aumentando a disponibilidade de água e nutrientes para as plantas. 

O produto atua como um “reservatório subterrâneo pessoal que retém água nas raízes de qualquer planta [...] dispersando lentamente no solo, mantendo-o constantemente hidratado [...] e fazendo com que a água fique disponível para qualquer planta, mesmo em tempos de seca. Solid Rain encapsula e dispersa água por até 8 anos”, afirma o site da empresa que o comercializa.

Segundo a empresa, o produto tem sido utilizado em mais de 10 países diferentes, “todos com diferentes histórias de sucesso”. O governo mexicano testou o produto por uma temporada inteira e os resultados impressionam. A produção de aveia em safras plantadas com Solid Rain duplicou em comparação com a safra sem o produto; as de girassóis triplicaram e as colheitas de feijão subiram de 450kg por hectare para 3.000kg.

O site afirma ainda que o produto “aprimora a estrutura e a capacidade de armazenamento de umidade [do solo], reduzindo a lixiviação”. Teria recebido também o reconhecimento do Instituto Internacional de Água de Estocolmo, bem como da Fundação Miguel Aleman, que lhe concedeu o prêmio de Ecologia e Meio-Ambiente.

Nem todos, porém, estão convencidos da efetividade da Solid Rain. Linda Chalker-Scott, professora da Universidade do Estado de Washington, diz que esses produtos não são novidade. “Não há evidência científica que sugira que eles armazem água por um ano”, disse ela à BBC. “Pode também causar problemas. Isso porque à medida que eles secam, vão sugando a água ao redor mais vigorosamente, e assim desviam a água que iria para a raiz das plantas”, adverte. De acordo com a professora, usar adubo de lascas de madeira produziria o mesmo efeito, sendo significantemente mais barato.

Edwin González, vice-presidente da empresa que comercializa a Solid Rain, defende-se: “Os outros concorrentes não duram três ou quatro anos. Os únicos que duram tanto são os que usam sódio em suas formulas, mas eles não absorvem tanto”. González conta que sua empresa já recebeu milhares de pedidos da Índia, Austrália e até da Grã-Bretanha.




























 

11/09/2013
Agrolink
Autor: Leonardo Gottems

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Agricultura irrigada tem tudo para crescer no Brasil, mas carece de incentivos



 "Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem". - (Portal Ambiente Legal)





Foi o que Pero Vaz de Caminha relatou na sua Carta de Achamento do Brasil, há 513 anos. Hoje, cinco séculos depois, já se sabe que 12% da água potável do mundo está por aqui e 30 milhões de hectares - o equivalente a sete voltas em torno da Terra - podem ser irrigados, mas que somente 5,5 milhões são beneficiados.

De acordo com informações da Agência Nacional de Águas (ANA), as culturas com mais áreas irrigadas são cana-de-açúcar (1,7 milhão de hectares); arroz em casca (1,1 milhão de hectares); soja (624 mil hectares); milho em grão (559 mil hectares) e o feijão de cor (195 mil hectares).

É de se perguntar: estamos, de fato, "querendo aproveitar" todo esse potencial? O Secretário Nacional de Irrigação, Guilherme Orair, tem a resposta na ponta da língua. "A própria criação da secretaria em 2011, bastante recente, demonstra que o Governo Federal está preocupado com essa questão".

Foi por meio da Secretaria Nacional de Irrigação (SENIR), que o Ministério da Integração Nacional lançou, em novembro de 2012, o Programa Mais Irrigação que prevê investimentos de R$ 10 bilhões, em recursos federais e parcerias com a iniciativa privada, para estimular projetos de irrigação por todo o país.

Outro importante passo foi dado em janeiro deste ano com a nova Política Nacional de Irrigação. "A importância desse plano foi dar um foco e estabelecer uma estratégia para o desenvolvimento da agricultura irrigada, com aumento da produtividade e um menor impacto ao meio ambiente", aponta Orair.

É também previsto para junho a criação de um plano diretor nacional para irrigação. "O plano diretor vem dos trabalhos conjuntos com estados, oferecemos a metodologia para os estados e aí saem os programas. O desafio é que os produtores se articulem para que possamos ouvir o setor, saber quais são as demandas", explica o secretário.

Dados do Ministério da Integração Nacional apontam o Rio Grande do Sul como o estado que mais concentra lavouras irrigadas, com 984 mil hectares. Em seguida, estão São Paulo (770 mil hectares), Minas Gerais (525 mil hectares), Bahia (299 mil hectares) e Goiás (270 mil hectares).

"A Secretaria está elaborando esses planos diretores e, com o Ministério [da Integração Nacional] atuamos em algumas regiões para criar pólos. Estamos aproveitando águas que já existem para desenvolver uma atividade econômica. Isso é importante", ressalta Orair.

Pedras no caminho

Tão grandes quanto os investimentos feitos, são os desafios para desenvolver a agricultura irrigada no país. "Num número muto grosseiro eu diria que temos 60 milhões de áreas próprias pra irrigação e apenas 10% de área utilizada. A Índia com área que é um terço da nossa e uma população três vezes maior é mais eficiente", afirma Durval Dourado Neto, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ).

Durval sustenta que o Brasil possui conhecimento de seu potencial hídrico para irrigação. "Quanto a saber o potencial pra irrigar, isso nós temos. Em algumas regiões, se tem limitação para conhecer vazão de rio, mas, ainda assim, há procedimentos práticos que podem ser utilizados".

Seu colega, o também professor Warwick Manfrinato, acrescenta que "as melhores tecnologias agrícolas são existentes no Brasil", mas: "tenho a impressão de que o Brasil é deficitário, no sentido de que a tecnologia é mal financiada", opina.

Ainda de acordo com Manfrinato o problema não estaria na pesquisa, mas na extensão, ou seja, em repassar ao agricultor o que se produz nos centros de pesquisa. "Embora tenhamos Embrapa, todas as frentes de desenvolvimento de informação, existe uma deficiência na transferência de tecnologia para o usuário".

Já Durval acrescenta mais outro entrave para a expansão da agricultura, e este é elementar: não há água para todos. "Aqui em São Paulo tem que se pensar muito. A grande diferença é que existe uma densidade demográfica maior. Você tem alguns pontos, algumas regiões, onde há problemas de conflito pelo consumo entre cidade, indústria e agricultura".

Muita discussão, pouca ação

"A política de irrigação não olha só por si e temos que conviver em consonância. É um constante processo de articulação, de quando o espaço de cada ação", afirma o secretário Guilherme Orair.

De fato, não há como dissociar a atividade agrícola da preservação da água. Assim como não se pode negar que a agricultura é a atividade que mais consome água. Isso faz que, na classificação dos níveis de prioridade para distribuição de água, a agricultura fique atrás da indústria e do consumo residencial.

Para se ter uma dimensão do volume gasto, basta fazer as contas. "Numa área de 100 hectares e o produtor tem que colocar 400 milímetros, vai dar uns 4 milhões de litros, o que uma cidade de 20 mil habitantes consume, isso em um dia. Mas isso acontece porque a planta gasta muita água. Não se pode achar que isso é desperdício do agricultor", afirma Durval Dourado Neto.

Dourado ressalta que a agricultura irrigada pode fazer bem ao meio ambiente, pois ela diminui a necessidade de expansão da área plantada. "Uma área de plantio geralmente precisa ser ampliada em seis vezes para se aumentar a produtividade, o que não é necessário quando a lavoura é irrigada", explica.

Mas em tempos de sustentabilidade e proteção dos recursos naturais, a concessão de licenças para uso da água passa a ser muito mais criteriosa, o que resulta em uma enorme burocracia. "Dependendo da região, um agricultor que precisa da autorização para plantar tem de esperar entre dois a três anos. Isso desincentiva o produtor", afirma Durval.

Ainda de acordo com o especialista, há o problema da interpretação jurídica. "Imagine a situação de um produtor que irriga 10 hectares de uva, aí chega um outro produtor, rio acima, com apoio do governo, que consegue financiamento para irrigar 500 hectares de feijão, milho. O juiz então fica em dúvida sobre quem tem a licença para irrigar: se é o produtor de uva por estar lá há mais tempo ou o outro porque tem verba do governo."

Vale do São Francisco: razão para acreditar

Diante desse cenário podemos afirmar que há razões para se acreditar na expansão da agricultura irrigada no Brasil? Se olharmos para o Vale do São Francisco, situado em uma das regiões mais secas do país, a resposta é sim.

Petrolina, centro de efervescência do Vale, situada na divisa entre os estados de Pernambuco e Bahia, há 40 anos era apenas uma "última parada" antes de Juazeiro, importante cidade do estado vizinho. Hoje é o maior polo da fruticultura irrigada do país. São 300 mil hectares irrigados que produzem em média 100 mil toneladas ao ano.

Ali encontram-se todos os tipos de irrigação e de produtores. Desde os de vinho que exportam para a Itália; os de manga que exportam para os EUA e Europa e também os produtores pequenos que abastecem o mercado regional. Há até produtores de sementes, que por conta do clima seco do Vale, são mais resistentes à pragas e à climas hostis que as comuns.

"Lá existem projetos muito bons. Em Minas Gerais, onde nasce o rio lá há a principal unidade da Condevasf [Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba]. Na Bahia, em Barreiras, a área irrigada ampliou e então os produtores se organizaram em uma associação para disciplinar o uso da água", afirma Durval Dourado.

Tudo isso vem a provar que Pero Vaz de Caminha, estava certo: para se aproveitar toda a abundância de água no Brasil, mais que tecnologia e conhecimento, é preciso vontade.



03/06/2013
Fonte: AgroOlhar

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

GT pretende melhorar ações sustentáveis dos recursos hídricos


Grupo terá 30 dias para apresentar relatório com as estratégias, linhas de ação e atuação, bem como os instrumentos apropriados para a execução das atividades


O Diário Oficial da União traz na edição desta quinta-feira (17) Portaria Interministerial dos Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente com a criação do Grupo de Trabalho (GT) para a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos no meio rural. Entre outras linhas de atuação estão o uso de água no setor agrícola, microbacias hidrográficas, saneamento agrícola e drenagem. Além de promoverem o planejamento de ações de caráter hídrico no meio rural, participação e disseminação de projetos, programas e ações de cada ministério e iniciativas na área de ciência, tecnologia e inovação para melhorar a eficiência do uso da água no setor agrícola.


Os maiores benefícios decorrentes do GT incluirão o trabalho conjunto para definir estratégias e estabelecer prioridades para atender áreas irrigadas, atualmente em 5 milhões de hectares. Conforme Demetrios Christofidis, coordenador de Infraestrutura Rural e Logística da Produção do Ministério da Agricultura, também serão beneficiados os agricultores com aptidão, potencialidades e vocação para o desenvolvimento sustentável da agropecuária irrigada, que no Brasil estima-se sejam da ordem de 30 milhões de hectares, com maiores possibilidades de sucesso, considerando, otimização no uso da água, com redução das quantidades de insumos, elevando a produção e evitando a degradação dos solos e das águas.


“Nos projetos existentes, também, serão observadas as práticas associadas com a qualidade das águas, o desenvolvimento das capacidades dos agentes e dos diversos setores envolvidos com a água e a agropecuária, orientações e demonstrações que incluam inovações, tecnologias e exemplos de manejo em práticas de preservação dos solos e melhorias na eficiência do uso da água no setor agrícola” explica o coordenador.


O GT, que terá cinco representantes de cada ministério, incluindo um técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Agência Nacional das Águas (Ana), terá 30 dias para apresentar relatório com as estratégias, linhas de ação e atuação, bem como os instrumentos apropriados para a execução das atividades.

18/01/2013
Inez De Podestà 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sancionada a Política Nacional de Irrigação

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei da Política Nacional de Irrigação, aprovada pelo Congresso, com vetos em dois artigos


A lei foi publicada no Diário Oficial da União de ontem (14). O objetivo da nova lei é incentivar a ampliação da área irrigada no Brasil, aumentando a produtividade de forma sustentável e reduzindo os riscos climáticos para a agropecuária.

A partir da decisão, projetos públicos e privados de irrigação poderão receber incentivos fiscais, especialmente nas regiões com os menores indicadores de desenvolvimento social e nas consideradas prioritárias para o desenvolvimento regional.

Com o crédito, será possível obter equipamentos com uso eficiente da água, modernizar instrumentos e implantar sistemas de suporte à irrigação. A lei prevê que o poder público criará estímulos à contratação de seguro rural por agricultores que praticam agricultura irrigada. Em todos esses casos, o governo poderá priorizar os pequenos agricultores. 

Agência Brasil
15/01/2013

domingo, 17 de junho de 2012

Rio Grande do Sul apostará em obras de prevenção contra a seca


Leandro Becker

Governo quer mudar foco dos investimentos emergenciais para se concentrar em ações planejadas



Investir mais em prevenção é a meta do governo do Estado para combater as secas cíclicas que atingem o Rio Grande do Sul nos últimos anos.

Atualmente, as obras capazes evitar racionamento nas cidades e perdas no campo correspondem a apenas 17,6% dos R$ 151,18 milhões aplicados pelo poder público estadual e federal desde dezembro de 2011.

Os 82,4 % restantes foram destinados a obras emergenciais, que têm efeito momentâneo. Segundo especialistas, inverter essa lógica é a saída para tornar os investimentos mais eficientes.

Coordenadora da Sala de Situação da Estiagem, que reúne órgãos estaduais para promover ações que amenizem a falta de chuva, a secretária adjunta da Casa Civil, Mari Perusso, aprofundou a análise dos gastos feitos a partir de dezembro, já com a seca caracterizada. Observa que investimentos em infraestrutura de abastecimento são mais caros e, muitas vezes, esbarram na falta de orçamento, mas estão nos planos do governo para evitar a necessidade de ações que apenas aliviam temporariamente a falta de água no Estado.

— O nosso objetivo é inverter essa lógica no futuro por meio de obras e programas que garantam o melhor aproveitamento da água — ressalta.

Entre as ações adotadas neste ano com enfoque preventivo, Mari destaca a nomeação de 300 profissionais para a Emater, que garantiu a elaboração de cerca de 30 mil laudos de lavouras atingidas pela seca, além da revitalização de poços, redes e açudes.

Para o futuro, o foco é a implantação do Plano Estadual de Irrigação, a retomada de obras em barragens como a de Taquarembó, em Dom Pedrito, e o investimento de R$ 4 milhões em estações climáticas que garantam prognósticos seguros para auxiliar os agricultores nos períodos de plantio.

— Agricultores e governantes ficam apostando que não vai dar seca, guardam o dinheiro para aplicar no que precisam, e o investimento em irrigação fica em segundo plano. Quando chega a seca, é tarde — avalia Luiz Carlos Busatto, secretário estadual de Obras Públicas.

Desde o início do governo, em 2011, foram aplicados no Estado cerca de R$ 275,5 milhões em obras para reduzir o impacto da seca no abastecimento rural e urbano. Estudo feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) indica que o Rio Grande do Sul é o Estado que mais precisa de investimentos em abastecimento urbano na Região Sul.

No país, é o oitavo mais carente. O diagnóstico aponta que o abastecimento urbano requer ampliação em 32% dos municípios gaúchos.

Políticas específicas para pequenos municípiosPara garantir a oferta de água até 2025, revela a pesquisa, o Estado precisa investir R$ 785,2 milhões em obras. Deste total, 93% para adequar os sistemas produtores de 167 municípios e o restante para adotar novos mananciais em 10 municípios.

— Investimos pouco e, como não há planejamento, a maioria das ações apaga incêndio, mas não resolve definitivamente o problema — destaca André Luiz Lopes da Silveira, diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para o superintendente adjunto de planejamento de recursos hídricos da ANA, Sérgio Ayrimoraes, é imprescindível que a gestão dos recursos hídricos tenha políticas permanentes e não mude a cada governo. Ele observa que as obras preventivas são caras e demoram mais para ficar prontas, mas são garantias para evitar problemas:

— O Estado também precisa de uma política específica para os pequenos municípios, principalmente pela fragilidade técnica e financeira deles na realização de obras.

Zero Hora, 14/06/2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Irrigação é uma das alternativas em tempo de seca



Na propriedade dos agricultores José Nelson e Loiva da Rocha, na comunidade do Faxinal, interior do município de Rolador, os efeitos da estiagem foram menos significativos do que em outras localidades da região. A situação pôde ser constatada no último dia 1º de junho, durante uma Demonstração Técnica de Irrigação realizada na propriedade da família Rocha. 

Com uma área total de 30 hectares e superfície de área útil de 15, que é destinada para a atividade leiteira, a família cria em torno de 35 animais em lactação, com produção média mensal de 20 mil litros de leite. A irrigação é um grande diferencial da propriedade, que possui seis hectares de pastagem permanente (tifton), e nove destinados à pastagem anual de inverno e verão. 

Os efeitos da seca podem ser minimizados com a técnica que visa o fornecimento artificial de água ao solo, nas quantidades necessárias para o desenvolvimento adequado das plantas cultivadas, conforme explica o assistente técnico em Bovinos de Leite do escritório regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, Flávio Joel Fagonde. "A irrigação tem a finalidade de suprir a falta, insuficiência ou a má distribuição das precipitações pluviométricas, maximiza o uso de água e a produtividade da cultura, minimiza os custos com mão de obra e de capital, ou seja, potencializa os recursos humanos e financeiros de uma propriedade, para que a mesma possa expressar o máximo de rendimento", destaca. 

Além de Fagonde, participaram da Demonstração Técnica de Irrigação, técnicos da Emater/RS-Ascar da microrregião de Cerro Largo, o supervisor regional Marco André Junges e agricultores do município. Juntos, conferiram os benefícios da irrigação na propriedade rural. 

Para maior regularidade na oferta da alimentação, o produtor foi contemplado pelo Programa Estadual de Irrigação com a implantação de um açude escavado, que permite armazenar 10 mil m³ de água, o que proporciona uma autonomia de 60 dias sem chuva nos seis hectares de área. 

Para a instalação da irrigação, o produtor optou por montar um sistema totalmente automatizado, que diminui a penosidade do trabalho, suprindo a falta de mão de obra, tendo em vista que o casal já tem mais de 50 anos de idade e apenas uma filha em casa que auxilia os pais na atividade. 

Segundo o extensionista do escritório da Emater/RS-Ascar em Rolador, Irineu Kapelinski, a instalação deste sistema de irrigação nos seis hectares teve um custo de R$ 52 mil, o que representa parcelas mensais de aproximadamente R$ 520,00 (já incluídos os juros), em um prazo de 10 anos, enquadrado no programa Pronaf - Mais Alimento. O valor poderá ser quitado com o aumento da produção de apenas duas vacas leiteiras. A abertura e fechamento das valas para a instalação do sistema foram contribuições da Prefeitura. 

Segundo o supervisor regional Marco André Junges, são inúmeras as vantagens deste sistema de irrigação. Entre elas, destacam-se a garantia da oferta de pasto verde; viabilidade para produtores que possuem plantel entre 25 e 35 animais; automação, diminuindo a penosidade do trabalho e suprindo a falta de mão de obra; baixo custo - no caso da família Rocha, equivalente à produção atual de duas vacas e que será pago com parte do aumento da produção; e espécie de pastagem adequada. 

Fonte: Emater

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A carta da água

Carta escrita no ano 2070

Estamos no ano 2070 e acabo de completar os 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro por  cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos raspar a cabeça para  mantê-la limpa sem água. 
Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDE DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais  podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. 
A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas,  já  que não temos a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastro-intestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um galão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele uma jovem de 20 anos parece como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água. O oxigênio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo já nos cobra pelo ar que respiramos: 137m3 por dia por habitante adulto. As pessoas que não pode pagar são retiradas das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países existem manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército. A água é agora um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui já não há árvores porque quase nunca chove, e quando chega a registrar-se uma precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelos testes atômicos e da industria  contaminante do século XX. Advertiam-se que havia que cuidar o meio ambiente e  ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, a chuva, as flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o quão saudável que as pessoas eram. 
Ela pergunta-me: "Papai, porque acabou a água?" Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que destruiu o meio ambiente ou simplesmente não tomamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer alguma coisa para salvar o nosso Planeta Terra!





Extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos"