quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Dá pra confiar nos cientistas?


Por enquanto só há uma certeza sobre o aquecimento global: duvidar das previsões catastrofistas pode ser mais arriscado que se preparar para o pior.

A mobilização internacional em torno do aquecimento global tem sido tamanha que é cada vez mais comum ouvir uma reação cética. "Para que tanto alarme?", perguntam. "Por que devemos acreditar no que dizem os cientistas se eles mal conseguem prever se vai chover amanhã?"
Um grupo de cientistas, políticos e economistas tem questionado as previsões alarmistas de modo bastante persuasivo. O maior expoente desse grupo de céticos é o estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, autor do livro O Ambientalista Cético, publicado em 2001. No livro, Lomborg pinta um quadro otimista do futuro do planeta. De acordo com ele, as previsões dos especialistas em clima são exageradas. Outro representante célebre da comunidade cética é o escritor de ficção científica americano Michael Crichton. Em seu romance Estado de Medo, de 2004, Crichton cria uma trama em que ecoterroristas usam pseudociência para ameaçar reféns. "A sociedade ocidental está assombrada por medos exagerados ou inadequados", diz Crichton. Ele foi recebido recentemente pelo presidente americano George W. Bush - outro cético famoso em relação ao clima - em jantar na Casa Branca saudado por um resenhista da revista americana New Yorker como um encontro entre dois dos maiores autores de ficção sobre terrorismo do planeta.
Ironias à parte, os céticos levantam uma questão essencial: até que ponto podemos confiar nas previsões dos cientistas sobre o clima? "Há mais dúvidas que certezas", afirma o administrador de empresas João Luiz Mauad, um estudioso que acompanha de perto o debate em torno do aquecimento global. "Os céticos me parecem muito mais bem fundamentados que os outros. O aquecimento global virou um negócio, há muito dinheiro envolvido em pesquisa e, por isso, os cientistas estão forçando a barra. Apelar para um suposto consenso é uma velha estratégia para evitar o debate."
O tal consenso vigente entre os pesquisadores - formado pela elite científica que integra o maior painel sobre clima do mundo, o IPCC - afirma que nosso planeta está ameaçado por causa da ação humana. E bastariam 3 graus Celsius de aumento na temperatura do planeta para a Terra ficar irreconhecível. Tais previsões são baseadas em estudos de probabilidades, alimentados pelo conhecimento científico mais avançado até agora. De concreto, pode-se dizer que, provavelmente, assim como houve diversas outras eras em que o planeta esquentou e esfriou, estaríamos entrando numa fase de aquecimento global mesmo sem a interferência humana. Mas também é possível afirmar que, com certeza, a ação humana, por meio da emissão de gases, é uma grande contribuição para o aquecimento da atmosfera. Nossas certezas acabam aí. É bom que o debate em torno do aquecimento global seja movido pela incerteza. O ceticismo sempre fez a ciência evoluir. A seguir, tentamos apresentar o que se sabe sobre as principais dúvidas que cercam o aquecimento global.


Como é possível prever o clima do futuro se os pesquisadores erram até a previsão do tempo? 
A meteorologia pertence a um grupo de disciplinas conhecidas como ciências da complexidade. Como o próprio nome diz, são ciências complexas. O maior exemplo disso é o clima da Terra, um fenômeno que envolve um sem-número de variáveis. Vários fatores se comportam praticamente ao acaso, como a pressão do ar e o comportamento dos ventos. Por isso, toda previsão está sujeita a fatores imponderáveis, que impedem previsões precisas. É virtualmente impossível, por exemplo, saber se vai chover ou fazer sol no dia 25 de dezembro deste ano em São Paulo. Mas as ciências da complexidade têm uma característica peculiar: embora não permitam previsões com alto grau de precisão, permitem detectar tendências nos fenômenos. Embora não dê para dizer se vai chover no Natal, é corriqueiro prever com grande precisão quanta chuva vai cair em dezembro. "O clima dos últimos três verões foi bastante parecido em São Paulo", diz Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Isso significa que a média de temperatura variou pouco e a quantidade de chuva que caiu na região foi equivalente à de outros anos. É por isso que errar na previsão do tempo não significa errar na previsão do clima.

Como os cientistas sabem como estará o clima da Terra em 2100? 
As grandes equações que tentam prever o clima futuro são aceitas como seguras porque foram testadas, antes, para prever o passado. Com base no comportamento de variáveis climáticas como correntes marinhas, ventos e incidência dos raios solares, os cientistas constroem, em computadores, modelos capazes de simular o clima. A primeira coisa que eles fazem é testar esses modelos com variáveis do passado. Os computadores tentam calcular como teria sido o clima em 1950 ou 1901. Em seguida, os pesquisadores levantam os registros históricos de observações meteorológicas para conferir se os modelos acertaram ou erraram. E tentam adaptá-los e corrigi-los, progressivamente. Os modelos estão cada vez mais sofisticados. Nos anos 90, as simulações passaram a ser feitas em supercomputadores, com novas variáveis atmosféricas e um volume maior de informações.


Os últimos relatórios de mudanças climáticas erraram. Para menos
Por que só agora os cientistas dizem que há consenso sobre o aquecimento global?
Num dos primeiros encontros mundiais sobre mudança climática, em 1975, em Toronto, metade dos cientistas imaginava que a Terra esquentaria, a outra metade estava certa de que o planeta esfriaria. De lá para cá, o conhecimento evoluiu. Os últimos cinco anos foram decisivos. Havia poucos modelos climáticos e eles eram deficientes. Os modelos de clima não consideravam a influência de alguns ciclos naturais, como a circulação do gás carbônico na Floresta Amazônica. Entre 1990 e 2001, os pesquisadores consideravam apenas 12 modelos em suas previsões. O relatório divulgado em fevereiro deste ano considerou os 20 modelos climáticos mais confiáveis. Cada um foi desenvolvido por um centro de pesquisas independente. "Ter mais modelos significa mais embasamento teórico para um consenso", diz o climatologista holandês Paul Crutzen, prêmio Nobel de Química em 1995. "Os modelos de computador s não chegam exatamente ao mesmo resultado. Mas todos apontam a mesma tendência: o planeta vai continuar esquentando pelos próximos 2 mil anos", diz o geógrafo Jack Williams, da Universidade de Wisconsin-Madison, dos Estados Unidos.

A Terra já enfrentou períodos quentes e frios. Por que acreditar que nós, seres humanos, somos responsáveis pela mudança climática atual?
É fato que o planeta passou por períodos de frio e calor antes de os humanos o ocuparem. "A diferença é que esses períodos de aquecimento e resfriamento da Terra duraram milhares de anos", diz Peter Cox, professor de Dinâmicas de Mudanças Climáticas da Universidade de Essex, no Reino Unido. "O planeta nunca se aqueceu tão rapidamente." Há outra razão científica para acreditar que o homem vem sendo responsável por este aquecimento. Os modelos climáticos só conseguem explicar o aquecimento global dos últimos séculos quando consideram os gases despejados pelo homem. Não há processos naturais conhecidos que expliquem o fenômeno. "É por essas duas razões principais que, pela primeira vez na História, os pesquisadores chegaram a um consenso: o homem é o principal agente da mudança climática", afirma Cox.




Como os cientistas podem dizer que um aumento de apenas 3 graus na temperatura fará tanta diferença?
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores comparam as condições climáticas de hoje com as do passado. Estudos do clima na Pré-História mostram como era a atmosfera terrestre até milhões de anos atrás. Isso é possível pela análise de bolhas de ar que ficaram presas em blocos de gelo do Ártico e da Antártida. Eles sabem a idade das bolhas pela profundidade em que foram encontradas (o gelo se acumula em camadas ao longo dos milênios). Para prever como seria a Terra 3 graus mais quente, os cientistas estudam o último período em que o planeta alcançou tal temperatura, entre 120 mil e 100 mil anos atrás. "A temperatura estava exatamente na faixa esperada para o fim deste século", diz o climatologista americano Kerry Emanuel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Na época, o aumento na temperatura foi provocado por alterações na órbita da Terra em relação ao Sol. Geólogos que estudam erosão, sedimentação e as mudanças do litoral do planeta ao longo dos milhões de anos sugerem que metade da Groenlândia e parte da Antártida derreteram há 120 mil anos. O mar estava até 6 metros mais elevado que hoje. Esse retrato da Terra daquela época ajuda a ilustrar o que poderá acontecer neste século.

Qual o grau de acerto dos cientistas em suas previsões? 
Um estudo publicado em fevereiro na revista científica Science analisou as previsões dos três relatórios do painel climático da ONU, o IPCC, nos últimos 15 anos. A conclusão foi surpreendente. De acordo com a análise, os últimos relatórios erraram. O painel não acertou os índices de emissão de gás carbônico, nem o aumento do nível do mar, nem o aumento da temperatura global. Mas os erros ocorreram dentro da margem prevista e, o mais importante, de modo conservador. A temperatura, o nível do mar e a emissão de poluentes subiram mais que o previsto. "É por isso que, até agora, o IPCC só pode ser acusado de excesso de cautela", diz Paulo Artaxo, pesquisador da Universidade de São Paulo. A valer a conclusão dessa análise, preparar-se para o pior pode ser mais sábio que duvidar das previsões catastrofistas.


Luciana Vicária
10/09/2008

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

5 de dezembro, Dia Mundial do Solo



  
  
 
 
Neste dia 5 de dezembro comemora-se o dia mundial do solo e a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em sua sede, em Roma, realiza uma sessão especial com o tema ”Securing healthy soils for a food secure world” (Garantindo solos saudáveis para um mundo seguro em alimentos).  
As relações solo-homem têm sido muito pouco discutidas no Brasil e se intensificaram um pouco mais frente aos graves problemas ocasionado pelos desastres naturais que têm, periodicamente, assolado inúmeros estados e municípios do País, mais especificamente, nas áreas litorâneas dominadas pelo ecossistema dominado pela Serra do Mar. São inúmeros os episódios ocorrentes anualmente, por ocasião das chuvas, desde Santa Catarina até o Espírito Santo. Os prejuízos relacionados a perdas humanas e materiais decorrentes destes eventos têm preocupado e motivado os governos e a sociedade civil organizada no sentido de pesquisar e entender melhor esses episódios.
Não obstante esses fatos, pouco se fala sobre o solo como meio capaz de sustentar a vida no planeta e que se encontra ameaçado também por ações do homem em práticas predatórias. No Brasil, por exemplo, são perdidos milhões de toneladas de solo anualmente nos diversos sistemas de uso desse recurso natural e cuja imagem mais recorrente é a de rios impregnados de sedimentos.
Servir como meio básico para a sustentação da vida e de habitat para pessoas, animais, plantas e outros organismos vivosmanter o ciclo da água e dos nutrientes; servir como meio para a produção de alimentos e outros bens primários de consumo; agir como filtro natural, tampão e meio de adsorção, degradação e transformação de substâncias químicas e organismos; proteger as águas superficiais e subterrâneas; servir como fonte de informação quanto ao patrimônio natural, histórico e cultural; constituir fonte de recursos minerais; e servir como meio básico para a ocupação territorial, práticas recreacionais e, propiciar outros usos públicos e econômicos, são as principais funções do solo. E dessa forma, o solo deve ser considerado como elemento fundamental para a sustentação e sobrevivência do homem na face da terra.
A Epagri, responsável pela política de pesquisa agropecuária e extensão rural em Santa Catarina, uma das mais importantes organizações científicas brasileiras nesses setores, tem a obrigação de focar como uma de suas responsabilidades e prioridades o tema solo, sendo também seu papel mostrar que a ciência, a tecnologia e a inovação estão disponíveis principalmente para a prática de uma agropecuária comprometida com a conservação do solo e a sustentabilidade ambiental.
Essa preocupação tem se manifestado através do sinal verde da Epagri em realizar, juntamente com outras instituições, o XXXIV Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, no período de 28/7 a 2/8/2013 em Florianópolis. É a primeira vez na história da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) que umaempresa estadual de pesquisa e extensão rural traz para si a responsabilidade da realização desse, que é o principal foro de discussão, congregação e reflexão da atuação da ciência do solo no Brasil.
Estima-se a participação de mais de 3000 congressistas de todo País, envolvidos em torno do tema escolhido para o congresso, qual seja, Ciência do Solo: “PARA QUÊ E PARA QUEM?”.

Que o dia 5 de dezembro fique marcado como um dia de reflexão e que motive os pesquisadores, extensionistas, produtores rurais, governos federal, estaduais e municipais e, principalmente a sociedade civil, a priorizar a conservação e cuidados com o uso e qualidade do solo, como um fator de sobrevivência do homem na face da terra.

Fonte: Engs. Agrs. JoséLaus Neto e Ivan Bacic (Ciram) e Milton da Veiga (EECN) 
04/12/2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Rumo à Ciência: Estudantes da UFFS sem Fronteiras


Sem-Ttulo-11
Arrumar as malas. Essa será uma das atividades para Jaderson Webler e Letiane Hendges, estudantes da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), nos próximos meses. Eles foram os primeiros aprovados da instituição no Ciência sem Fronteiras, programa das instituições de fomento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), (CNPq e Capes) –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC.
O coordenador do programa na UFFS, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Joviles Trevisol, ressalta que as aprovações são importantes para os estudantes e para a UFFS. “É motivo de alegria para os estudantes contemplados, para os cursos de origem (Ciência da Computação e Engenharia Ambiental) e os campi (Chapecó e Cerro Largo) e para toda a UFFS. Não há dúvida que será uma experiência fundamental para os estudantes, pois agregará muito conhecimento, contatos e relações. A experiência de viver no exterior, por si só, já é fascinante e rica”.
Webler foi o primeiro a ter certeza de que iria. Foram diversas fases de encaminhamento de documentos e confirmações, até que no dia 22 veio um e-mail do DAAD, interlocutor da Alemanha com os responsáveis pelo programa no Brasil. “Fiquei muito feliz. Sempre quis e sempre tive interesse em estudar fora do Brasil. Fui confiante, mas mesmo assim foi uma surpresa”, contou.
O estudante, prestes a completar 21 anos, do curso de Ciência da Computação do Campus Chapecó, foi aceito na universidade que escolheu como primeira opção – são três opções apontadas pelos inscritos. Ele vai para a Technische Universitat München, (Universidade Técnica de Munique), a melhor colocada na área de estudo de Webler na Europa, segundo o site da própria instituição (em www.in.tum.de/en/for-prospective-students/good-reasons/university-rankings.html ). Também se interessou pela universidade pelo fato de que München é o sobrenome de sua mãe e o local de onde os bisavós dela vieram. “Minha mãe ficou emocionada. Temos um livro da família e pretendo rastrear pessoas com o mesmo sobrenome dela”, afirmou.
O estudante da UFFS buscou a informação do ranking antes da inscrição. Também buscou muitas outras: soube, por exemplo, por pesquisas na internet, que além da excelência no ensino de sua área, a universidade de München possui um centro esportivo completo, inclusive oferecendo a possibilidade de seus estudantes praticarem esportes de inverno, com ski e snowboard. Também tomou conhecimento que há uma linha de metrô na universidade e viu o alojamento da instituição alemã.
Mas não foi somente com relação à universidade que ele buscou se informar. Ainda no segundo ano do ensino médio, quando morava com a família em Cerro Largo (RS), Webler despertou o interesse em fazer intercâmbio. “Como o que eu pesquisei era mais voltado ao trabalho em fazendas, resolvi esperar até a graduação”, revelou.
Para a inscrição no programa, ele também buscou muitas informações na internet. Uma delas o fez economizar. O Exame de Proficiência, exigido para comprovar o conhecimento na língua, foi realizado em um dos locais credenciados que não cobra. A programação do jovem também foi baseada em tudo o que buscou e estudou: ele fez o exame no dia 25 de setembro, já prevendo que sua última data para mandar o comprovante era no dia 27.
Depois de todo o processo, ele continua buscando e pesquisando. Está estudando ainda mais a língua e lendo sobre a universidade.
Webler vai ficar um ano e três meses na Alemanha. Vai ganhar da universidade, três meses de curso de alemão intensivo antes de iniciar as aulas. Terá mensalidade de bolsa, auxílio instalação, passagens aéreas e seguro saúde. Pretende não trabalhar para poder se dedicar ao máximo nos estudos. “Quero estudar em tempo integral. Como lá a qualidade é muito grande, a exigência também será. Se aqui na UFFS, no curso de Ciência da Computação os estudantes já são bastante exigidos, imagina lá!”, explicou.
Ele não se preocupa se, por ventura, perder o semestre que está cursando na UFFS. “Vou continuar fazendo os trabalhos e provas, mesmo sem saber se poderei aproveitar o semestre. E não tenho problema em repetir o semestre depois que voltar”. Webler é bolsista de extensão até dezembro, então conseguirá finalizar sua participação. Mas também é voluntário num projeto de pesquisa de Computação Gráfica, o qual pretende continuar colaborando, mesmo à distância.
Para os interessados em tentar essa experiência, Webler dá um conselho: se preparar com a língua e também financeiramente (para viagens para o exame de proficiência, por exemplo), ter boas notas no curso, prestar atenção nos documentos necessários e nos prazos e pesquisar muito.

Campus Cerro Largo também terá representante em universidade da Alemanha
Outra estudante da UFFS selecionada no Ciência sem Fronteiras foi a acadêmica de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis do Campus Cerro Largo, Letiane Hendges. Ela também vai para a Alemanha estudar na Universidade Neubrandenburg, sua primeira opção. “Achei a oferta dela bem interessante, pois aborda um assunto que eu gosto e que terá um bom campo de trabalho depois, se trata de uma parte mais aplicada da engenharia ambiental. Além disso, oferecia bastante vagas”,  afirma.
A escolha do país deu-se em função de sua origem e do contato intenso e frequente com a cultura alemã desde pequena. Com a língua, ela vai se virar muito bem: o uso do dialeto em casa sempre foi muito acentuado. Além disso, durante o ensino fundamental Letiane teve aulas de alemão. “Isso me colocou em contato com o Hochdeutsch (alemão clássico)”, conta.
E o que esse fato vai acrescentar em sua vida? Sem comentários, responde Letiane, que acredita que muitas coisas serão aprendidas na Alemanha: “Vou aprender como é o sistema alemão de conservação do meio ambiente, a sua legislação, como ele implanta essa legislação e assim, quando eu voltar para cá poderei conciliar o que aprendi lá com nossa realidade aqui”.
Tranquila, ela diz que está fazendo uma coisa de cada vez com relação ao preparo dos documentos necessários à viagem. A primeira etapa, segundo Letiane, é providenciar seu passaporte: “Vou fazer uma coisa de cada vez, até porque é tudo muito recente”, pondera.
Quanto aos conselhos para os colegas que desejam pleitar uma vaga nos próximos editais do Ciência sem Fronteiras, ela conclui: “é preciso se inscrever com fé e acreditar que podem conseguir, ter motivação para enfrentar as dificuldades que aparecerem, pois às vezes é um pouco estressante ter que correr atrás dos papéis para o programa e estudar para as matérias do curso aqui. O teste de proficiência não é tão complicado, no edital informa o tipo de teste que tem que ter para ir para cada país”
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03/12/2012



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Desperdício na pulverização chega a 30% no Brasil


Uso de técnicas adequadas de aplicação pode reduzir custos e aumentar a eficiência dos produtos


Bicos mal regulados, aplicação em horários inadequados ou com alta incidência de ventos são os principais fatores que contribuem para o elevado índice de perda na hora da pulverização. De acordo com Ricardo Alberto Hendges, engenheiro agrônomo da Dow AgroSciences, o desperdício em algumas regiões do País chega a 30% do total aplicado na lavoura, dando um prejuízo ao agricultor que pode chegar a US$ 25 por hectare.

Para tentar reverter esse quadro, a Dow, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), vem realizado um trabalho itinerante com o objetivo de orientar os produtores a reduzir o desperdício na hora de pulverizar. O Programa de Aplicação Responsável (PAR), criado pela empresa, pretende disseminar as boas práticas agrícolas entre os produtores. Recentemente foram realizadas palestras para produtores clientes da empresa de Londrina e região, que receberam orientações técnicas sobre a melhor maneira de aplicar. Os trabalhos estão sendo realizados em todo o País. ''Queremos difundir as boas práticas para melhorar a agricultura'', assinala.

Durante a visita dos técnicos da Dow na região, foi verificado o uso elevado de volume de calda. Segundo Hendges, os produtores da região consomem, em média, 200 litros de defensivo por hectare, sendo que o ideal é de até 100 litros por hectare. ''Muitos agricultores não sabem o quanto estão jogando na lavoura'', observa. Nesse caso, Hendges culpa a falta de regulagem dos equipamentos. Além disso, salienta que os horários de aplicação devem ser os mais frescos, ou seja, antes da 11h ou depois das 16h. Além disso, os ventos devem estar sempre abaixo dos 10 km/h para evitar a dispersão.

Apoio técnico

Fernando kassis Carvalho, pesquisador da Unesp de Jaboticabal (SP), afirma que com pequenas técnicas é possível reduzir o desperdício de calda. A primeira dica dada por ele é a regulagem do bico pulverizador. ''O produtor deve avaliar a área foliar e o nível de cobertura''. Segundo ele, diminuir o tamanho das gotas pode ser uma solução. Para isso, o aplicador necessita aumentar a pressão na bomba.

Além de atingir uma maior cobertura foliar, principalmente quando a lavoura se fecha, há uma redução no uso de calda. No entanto, Carvalho alerta que esse tipo de aplicação não pode ser realizada quando há vento forte. ''A escolha da ponta é essencial nessa hora'', completa o pesquisador. Outras recomendações é a atenção à velocidade e à altura do pulverizador. Para não haver erro nessa hora, é bom o produtor buscar a orientação de um engenheiro agrônomo antes de iniciar as atividades.

O programa

De acordo com informações divulgadas pela Dow, o PAR também realiza nas visitas palestras de orientação sobre uso correto de Equipamento de Proteção Individual (EPI), descarte de embalagens e condições climáticas adequadas. Além das palestras, ainda são realizadas atividades práticas sobre inspeção periódica de pulverizadores (IPP) e redução do risco de deriva.

Em 2011, de acordo com dados fornecidos pela Dow, 625 pessoas foram treinadas em 21 cidades nos estados do Mato Grosso e Rondônia. Este ano, o PAR passa por Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal. No ano passado, a Dow recebeu o Prêmio Mérito Fitossanitário, realizado pela ANDEF, na categoria ''Boas Práticas Agrícolas''.

Ricardo Maia
03/12/2012

Folha Web

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Embrapa lança cultivares de uva e maracujá em Mato Grosso


Fruticultores de Mato Grosso passam a contar com novas cultivares de uva e de maracujá adaptadas às condições climáticas do estado. Nesta sexta-feira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária lança, em Sinop (MT), a uva para suco BRS Magna e o híbrido de maracujazeiro azedo BRS Rubi do Cerrado. A cerimônia de apresentação será na sede da Embrapa Agrossilvipastoril, a partir das 8h30, e contará com a participação de pesquisadores que trabalharam no desenvolvimento dos materiais, técnicos que atuam na cadeia produtiva da fruticultura e convidados.

As cultivares de uva e de maracujá foram desenvolvidas pelos programas de melhoramento genético da Embrapa Uva e Vinho e da Embrapa Cerrados, respectivamente. Em ambos os casos, as plantas foram validadas em Mato Grosso por meio de parcerias. No caso da BRS Magna, a validação ocorreu em Nova Mutum, na região Médio-Norte do estado, com apoio da Agropecuária Melina. Já a BRS Rubi do Cerrado foi validada em Terra Nova do Norte, no Norte mato-grossense, com apoio da Coopernova.

A apresentação dos dois materiais será feita juntamente a um módulo da Capacitação Continuada de Técnicos da Cadeia Produtiva da Fruticultura. Desta forma, os participantes poderão conhecer melhor as cultivares e o trabalho de melhoramento genético de frutas desenvolvido pela Embrapa.

BRS Magna

A BRS Magna é uma cultivar de uva para suco, que tem como principal característica a ampla adaptação climática, podendo ser cultivada em regiões de clima temperado, como a Serra Gaúcha, ou tropical úmido, como em boa parte do estado de Mato Grosso. Tem um ciclo de produção de médio a precoce, o que possibilita a colheita de duas safras por ano em regiões tropicais. A nova cultivar apresenta um sabor aframboesado, uma coloração violácea intensa e um alto teor de açúcar – de 17 a 19 ° Brix –, podendo ser utilizada para a elaboração de sucos pura ou em conjunto com outras variedades. Com o peso médio de 200g, o cacho é levemente compactado, a baga tem tamanho de 18mm x 20 mm e a produtividade está em torno de 25 a 30 toneladas/ano.

BRS Rubi do Cerrado

A nova cultivar de maracujá produz aproximadamente 50% de frutos de casca vermelha ou arroxeada com peso de 120 a 300 gramas (média de 170g) e rendimento de suco em torno de 35%. Outras características importantes são a melhor resistência ao transporte, maior tempo de prateleira e elevados níveis de resistência às principais doenças do maracujazeiro (virose, bacteriose, antracnose e verrugose).

Comercialização

A comercialização das gemas da BRS Magna e das sementes da BRS Rubi do Cerrado será feita pela Embrapa Produtos e Mercado, escritório de Campinas (SP). No caso da cultivar de uva, os materiais estarão disponíveis a partir de julho de 2013. Os produtores e viveiristas interessados deverão solicitar a reserva de sementes, que estão sujeitas à disponibilidade de estoque. Após o cadastro de reserva, o cliente deverá aguardar o contato da Embrapa, por email. Para mais informações sobre as reservas de sementes, acesse: www.campinas.spm.embrapa.br. Telefone (19) 3749-8888, fax (19) 3749-8890 ou email sac@campinas.spm.embrapa.br.

23/11/2012
Gabriel Faria 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Exóticas e invasoras


Xico Graziano

Existe uma repulsa dos ambientalistas brasileiros contra as plantas chamadas exóticas. Sua posição, radical, idolatra a vegetação nativa


O assunto virou tabu: espécie exótica é do mal; nativa, do bem. Polarização falaciosaEspécies exóticas, sejam plantas ou animais, consideram-se as originadas nos ecossistemas de regiões distintas da local, ou seja, estrangeiras. São exóticas no Brasil, por exemplo, as árvores típicas da Europa, como o cipreste italiano. Da mesma forma, vieram de longe para a arborização urbana a enorme tipuana (argentina), o lindo flamboyant (africano), a falsa-seringueira (asiática) e o álamo (canadense). Apenas a sibipiruna ou os coloridos ipês são nativos do Brasil. Nenhum cidadão discrimina a sombra fresca que todas oferecem ao calor do asfalto.

Imperam também, dentre as frutas encontradas na mesa dos brasileiros, as variedades importadas. A banana, a laranja e o figo têm origem na Ásia, enquanto o abacate e o abacaxi vieram da América Central. Variadas origens caracterizam a fruticultura, como no caso da melancia (africana), da manga e da jaca (indianas), da maçã (siberiana), do caqui e do pêssego (chineses), da uva (do Oriente Médio), do moranguinho (europeu).

O mamão é americano. Latino-americanas são a pitanga e a goiaba. Brasileira, mesmo, fica a jabuticaba.Assunto curioso. Veja o caso de verduras e legumes. Nesses vegetais se destacam as exóticas cebola e alface (asiáticas), a berinjela e o pepino (indianos), a cenoura, a beterraba e a couve (mediterrâneas), o cará, o maxixe e o quiabo (africanos). Restam como latino-americanos o chuchu, a abóbora e o pimentão. Sul-americano, sabidamente, apenas o tomate.

Interessante é saber que exótica é também boa parte dos grãos que alimentam o povo, a começar do arroz, da soja (asiáticos) e do trigo, cujas origens se encontram na Europa e na Ásia. Amendoim, girassol, batata e milho, por sua vez, surgiram originalmente nas montanhas andinas da América. O café, bebida adorada pelos brasileiros, nasceu na África, a cana-de-açúcar veio da Índia e o feijão, típico do prato nacional, tem origem difusa em vários continentes. Verde-amarela, essa, sim, resta a mandioca, aqui relatada desde Pero Vaz de Caminha.

Normalmente as pessoas desconhecem a origem dos alimentos. Isso, entretanto, não as impede, nem aos próprios ecologistas radicais, de consumi-los com apetite, independentemente da procedência. Saborosos e nutritivos, todos têm sido fundamentais para a qualidade de vida dos povos. Fruto do trabalho da agronomia, caíram no gosto popular e se tornaram cosmopolitas. Viajaram o mundo.

Existe um sentido mais restrito para o conceito de planta exótica. Também é considerado dentro de um mesmo país, ou região, para se referir às espécies que, embora do mesmo país, tenham origem num bioma distinto do local. Assim, no território de São Paulo, situado no bioma da Mata Atlântica, considera-se exótica a seringueira, eis que nativa do bioma da Amazônia. Vejam outros casos. No Nordeste, ao contrário do que muitos pensam, o praiano caju é exótico, pois sua origem está na Floresta Amazônica; idem o cacau, que, embora seja também amazônico, adorou viver nas terras de Ilhéus. O coco-da-baía, destarte, ostenta no nome a terra de Jorge Amado, mas chegou da África, trazido pelas correntes marinhas. Inusitado.

Na recente discussão sobre o Código Florestal, o assunto da vegetação exótica tomou destaque. Propunha-se que, sob certas condições, plantações frutíferas ou silvícolas pudessem ser utilizadas para ajudar na recomposição de áreas de preservação permanente, mormente as próximas dos cursos dágua. Além de proteger as beiradas dos córregos, teriam função produtiva. Ganha a natureza, ganha o agricultor.

Houve, porém, forte restrição dos puritanos ambientais. O temor ecológico contra as plantas exóticas advém, primeiro, do fato de que, sendo estranhas à flora nativa, elas não participam das cadeias produtivas alimentares, pouco auxiliando na vida silvestre. Segundo, as espécies retiradas de seu ecossistema nativo se livram de predadores e parasitas naturais, que lá controlam sua população. Livres de competidores, podem se multiplicar exageradamente, prejudicando a flora e a fauna locais.

Esse fenômeno, que caracteriza as chamadas plantas "invasoras", é tido pelos estudiosos como a segunda maior ameaça mundial à biodiversidade, perdendo somente para a exploração humana na destruição dos hábitats naturais. A gravidade da contaminação biológica causada por espécies exóticas motivou a ONU a criar, em 1997, um programa específico para enfrentá-la. A matéria, complexa, caiu nas graças dos ecoterroristas, os que pregam a catástrofe planetária.

Em muitos casos, providências, algumas drásticas, precisam ser tomadas para impedir a invasão dos ecossistemas. Mas, embora exóticas, as plantas podem servir ao bem. Basta monitorar, se necessário controlar, pôr a técnica acima do preconceito ecológico. Nas áreas degradadas, algumas espécies florestais podem servir como "pioneiras", sombreando as mudas nativas para que cresçam melhor, favorecendo o processo de recuperação ambiental. Por essa razão, o novo Código Florestal acabou permitindo, de forma restrita, o uso das exóticas em sistemas misturados com espécies nativas.

Na Serra do Mar paulista, entre Mogi das Cruzes e Bertioga, surpreendente recuperação da Mata Atlântica se verifica nas sombras dos antigos eucaliptais, raleados, mantidos pela Suzano, empresa de celulose. A silvicultura inteligente cria uma segunda natureza, que ajuda, e não atrapalha, a civilização humana.

O Estado de São Paulo
13/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

“Hortaliças na Web” incentiva consumo e ensina a reduzir desperdício


 

Com o intuito de incentivar o consumo de hortaliças e promover uma alimentação saudável para toda família, a Embrapa Hortaliças (Brasília/DF) lança o site “Hortaliças na Web” (http://www.cnph.embrapa.br/hortalicasnaweb/index.html) que traz cerca de 150 receitas e também dicas de como comprar, conservar e consumir hortaliças.

De acordo com a engenheira agrônoma Milza M. Lana, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, o objetivo do site é contribuir para o aumento do consumo de hortaliças pela população brasileira, oferecendo diversas opções de preparo desses alimentos, com receitas nutritivas, práticas e baratas. Pretende-se também orientar a população sobre os atributos de qualidade a serem considerados na hora da compra e o correto manuseio e acondicionamento das hortaliças no mercado e na residência para evitar desperdícios.

O destaque do site “Hortaliças na Web” fica por conta da seção “50 hortaliças” que relaciona informações específicas de cada hortaliça como origem, valor nutritivo, receitas e, claro, dicas de como comprar, conservar e consumir cada uma delas. Mas ainda há outras cinco seções com informações exclusivas.

- Hortaliça combina com todas as refeições: além das tradicionais receitas de sopas e saladas, essa seção ensina como aproveitar a diversidade de cores e sabores que as hortaliças oferecem do café da manhã até o jantar. Há inúmeras possibilidades de preparar a mesma hortaliça, basta variar de acordo com o gosto da família e o hábito de alimentação.

- Como obter o melhor de cada hortaliça: essa seção destina-se àqueles que se interessam em conhecer novos paladares, mas não sabem como escolher produtos de boa qualidade nem como prepará-los.

- Hortaliça e dinheiro não se jogam fora: como são produtos muito perecíveis, é preciso saber como armazenar as hortaliças para reduzir as perdas em casa e evitar desperdícios. Vale destacar que o adequado acondicionamento é essencial para a preservação da qualidade sensorial e nutricional das hortaliças.

- Quem quer saúde vai à feira: esta seção explica a importância de consumir hortaliças diariamente. Ricas em vitaminas, fibras e sais minerais, as hortaliças são fundamentais para a manutenção da saúde. Tanto que a Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão de, pelo menos, três porções de hortaliças por dia.

- Sua receita ideal: neste espaço, o usuário do site consegue filtrar as receitas de acordo com as hortaliças de preferência. Há também a possibilidade de excluir da busca as hortaliças que não gosta ou não tem em casa, por exemplo.

01/11/2012
Embrapa