quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Coreia do Sul e Finlândia são exemplos de como se investir na educação


Mesmo com sistemas distintos, ensino de ambos os países pode servir de modelo para a educação brasileira





Coreia do Sul e Finlândia são exemplos de como se investir na educação Amanda Soila/Ministério de Relações Exteriores da Finlândia
Na Finlândia, vagas para professor são disputadíssimasFoto: Amanda Soila / Ministério de Relações Exteriores da Finlândia

Dois países com dimensões, culturas e sistemas escolares bastante diferentes vêm conseguindo resultados parecidos, nas últimas décadas, na missão de educar crianças e adolescentes com excelência. A Coreia do Sul e a Finlândia costumam ocupar posições de destaque nos rankings do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), exame que mede o quanto alunos de mais de seis dezenas de países – incluindo o Brasil – aprendem em leitura, matemática e ciências.
O destaque na comparação internacional, na qual os brasileiros não conseguem ficar entre os 50 melhores, é conquistado apesar de contrastes entre os modelos. Ambos, porém, oferecem lições capazes de catapultar o desempenho do Brasil.
Enquanto os coreanos aplicam um sistema baseado na tradicional disciplina, com muitas horas diárias de estudo e investimentos pesados do governo, os finlandeses são bem menos formais e aplicam comparativamente menos dinheiro no sistema educacional. O pilar que sustenta os dois modelos, porém, é o mesmo: seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional e boas condições de trabalho.
Na Coreia, a prioridade é a educação básica. Todas as escolas têm dois turnos, e os melhores professores estão lá, não no Ensino Superior – comenta o doutor em Educação e diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) no Estado, José Paulo da Rosa, que visitou o país oriental em 2009. Na Finlândia, a disputa pelo posto de professor da rede pública é tão grande que apenas 10% dos candidatos conseguem vaga nos cursos de formação.
Marcelo GonzattoZero Hora08/09/2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Uma era de oportunidades e desafios para os agricultores

Para os agricultores, este é o melhor e o pior dos tempos


Eles estão diante de uma enorme oportunidade: a população mundial cresce de forma mais acelerada que todos os segmentos setoriais isolados, e cada um de seus componentes precisará comer e beber. E, segundo estimativas, mais de 2 bilhões de pessoas dependem da agricultura para garantir seu sustento.

Mas os desafios são igualmente grandes. Muitos dos 500 milhões de pequenos proprietários rurais, que respondem pela produção de até 80% dos alimentos do mundo, mal conseguem tirar seu sustento com a atividade. Com o crédito muitas vezes negado, eles não conseguem expandir ou investir em técnicas agrícolas modernas.

Na Europa, a mudança da regulamentação deverá eliminar subsídios e aumentar custos. Os agricultores americanos acabam de sair da pior seca de décadas. Em decorrência disso, muitos deles estão sacrificando cabeças de gado por não ter mais condições financeiras de alimentá-las. Seus congêneres europeus estão fazendo o mesmo.

Em todo lugar, talvez até sem causar surpresa, as pessoas estão deixando as fazendas em massa. Os jovens estão indo para as cidades e as pessoas que ficam se aproximam da aposentadoria. No Japão a média dos agricultores tem mais de 65 anos, no Reino Unido passa dos 60 e nos EUA, 55 anos.

As partes interessadas - em tese todos nós que comemos, mas na prática governos, sociedade civil e fabricantes que processam a produção - combatem os desafios com a associação de agricultores até o aprimoramento dos insumos e métodos agrícolas básicos.

Como observa o governo britânico, as cooperativas voltaram à moda, duas ou três décadas após aquelas que eram subvencionadas pelo governo terem sido desfeitas.

Esse processo levou ao surgimento de um grande número de organizações de produtores, que se multiplicaram nos últimos 30 anos, a ponto de que um número estimado em 250 milhões de pequenos produtores rurais dos países em desenvolvimento pertencer a algum tipo de agremiação.

Essas associações possibilitam que os pequenos agricultores consigam insumos a preços melhores, reduzam custos das transações, pulverizem os riscos e obtenham crédito bancário com mais facilidade, além de dar maior poder de barganha com os compradores.

Jim Paice, ex-ministro da Agricultura do Reino Unido, disse que o clamor britânico contra os preços do leite - que recentemente atraiu milhares de produtores para Westminster e fez com que os compradores recuassem em relação aos pretendidos cortes de pagamentos a pecuaristas - foi um exemplo do poder da voz coletiva.

"Os produtores demonstraram que têm capacidade de se unir na adversidade", disse ele a um grupo de 300 pecuaristas em Cumbria.

Para Chris Brett, diretor de sustentabilidade da trading asiática Olam, a resposta é "os produtores rurais se conectarem cada vez mais" e, a exemplo do que ocorre numa empresa, prestarem mais serviços e orientação de prática agrícola, muitas vezes por celular.

A outra arma vista como essencial para os agricultores, sobretudo para os pequenos, é a ciência. Sementes de qualidade superior, resistentes a pragas, a doenças e até a condições climáticas adversas, tanto aumentam a produtividade quanto melhoram a agricultura como atividade econômica.

"Com o passar do tempo, o desafio será verificar se conseguiremos juntar um monte maior de grãos numa propriedade agrícola menor", diz Michael Mack, principal executivo do grupo suíço Syngenta. "Pode-se colher dez vezes mais tomate em um décimo da terra na Índia, mas precisa-se de estufas, e isso exige mais investimento".

A empresa, como outras concorrentes do setor privado e do setor público, já deu passos largos no caso do arroz, sujeito ao ataque de todos os tipos de fungos, insetos e ervas daninhas poderosos. A produção do cereal exige um trabalho intensivo: a cada sete ou 14 dias o agricultor tem de ir a campo, descalço e transportando um pulverizador nas costas. Atualmente melhores produtos químicos, pulverizados por um aparelho semelhante a uma máquina de cortar grama, diminui o trabalho, o desperdício e aumenta a produtividade.

Os métodos naturais de aumento de produtividade não são menos polêmicos. A fazenda modelo do grupo FAI em Oxfordshire, Reino Unido, que produz carne e ovos para o McDonalds, além de testar novos métodos de produção agrícola, abrigou várias ideias desse tipo. As galinhas ficam aparentemente mais satisfeitas se puderem ciscar sob a sombra de árvores. A mesma sombra atrai as libélulas, que são devoradas pelas galinhas. Em sua bucólica felicidade, as aves se esquecem de brigar entre si e botam mais ovos.

No mesmo sentido, o gado é alimentado com uma mistura de forragem de grama. Esse alimento é mais barato que o milho e a soja, inflacionados pela seca, e, pelo fato de as vacas terem de caminhar para cima e para baixo para obter grama, a prática é vista como mais saudável, sob todos os aspectos.

No entanto, há argumentam contrários de que a qualidade do leite e da carne é afetada - o que põe em destaque o fato, indiscutível entre agricultores e economistas, de que consenso é coisa rara até no campo. 

Louise Lucas
Valor Online
Tradução de Rachel Warszawski
17/12/2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Portaria orienta plantio de prática sustentável


Zoneamento é um importante instrumento na contratação de crédito de custeio agrícola e seguro rural



O zoneamento agrícola de risco climático para a cultura de milho consorciado com braquiária, utilizado em práticas sustentáveis como no Sistema de Plantio Direto, para oito estados foi divulgado na quinta-feira, 13 de dezembro, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foram anunciados, ainda, os zoneamentos para amendoim, aveia, canola, cevada (de sequeiro e irrigada), feijão (3ª safra e caupi), milho e trigo (de sequeiro e irrigado).



A divulgação do zoneamento agrícola identifica os municípios aptos em 17 estados e os períodos de semeadura com menor risco climático para o cultivo das culturas nos estados brasileiros. O zoneamento é um importante instrumento na contratação de crédito de custeio agrícola e seguro rural. É por meio dele que são indicados os municípios e os períodos de plantio com menores riscos climáticos para o cultivo de cada cultura e variedade.



O consórcio de braquiária com o milho, em sistema plantio direto, vem sendo mais utilizado no cultivo do milho 2ª safra. Esse plantio é possível devido ao diferencial de tempo e espaço no acúmulo de biomassa entre as espécies.



Os efeitos desse tipo de cultivo sustentável – como a reciclagem de nutrientes, acúmulo de palha na superfície, melhoria da parte física do solo e pela incorporação e acúmulo de matéria orgânica – são benéficos para os plantios subsequentes, em especial para os de soja, contribuindo para o aumento de produtividade.



Há dois anos, o Mapa tem divulgado os zoneamentos de cultivos consorciados para apoiar os produtores que adotam – ou querem adotar – práticas sustentáveis em suas propriedades.



Acesse aqui (http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=13/12/2012&jornal=1&pagina=16&totalArquivos=336) e leia na íntegra as portarias publicadas no DOU sobre o zoneamento das culturas para cada estado.

14/12/2012
Min. da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

UFFS abre inscrições para o processo seletivo 2013



PS_2013_1

A partir das 8h desta quarta-feira (12), os candidatos interessados em cursar o ensino superior na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) podem fazer a sua inscrição em um dos 37 cursos de graduação, nos cinco campida Universidade – Chapecó (SC), Realeza e Laranjeiras do Sul (PR) e Erechim e Cerro Largo (RS). Ao todo, serão oferecidas 2.025 vagas.
Para ingressar na UFFS, o estudante deve ter realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2011 ou 2012 e ter concluído ou estar concluindo o ensino médio.
A inscrição para o Processo Seletivo da UFFS será realizada somente pela internet, através do site da instituição (ps.uffs.edu.br). O candidato deve acessar o site, preencher integralmente o Requerimento de Inscrição, confirmar a inscrição ao final do preenchimento, possuir e informar um endereço de e-mail de uso frequente para a comunicação e imprimir e guardar o Comprovante de Requerimento de Inscrição.
O período de inscrição será de 12 de dezembro de 2012 até às 23h59 do dia 04 de fevereiro de 2013.

CURSOS E VAGAS
No momento da inscrição o candidato irá escolher dois cursos de sua preferência. Um como primeira opção e outro como segunda opção, para o caso do candidato não obter vaga no curso de sua preferência.
Confira as vagas e os cursos disponíveis na UFFS:
Santa Catarina845 vagas
Campus Chapecó (Campus Sede)
Administração – Matutino (50) e Noturno (50 – 2º sem.); Agronomia – Integral (50 – 2º sem.); Ciência da Computação – Matutino (50) e Noturno (50 – 2º sem.); Enfermagem – Integral (40); Engenharia Ambiental – Integral (50); Filosofia – Matutino (30) e Noturno (50 – 2º sem.); Geografia – Matutino (30) e Noturno (50 – 2º sem.); História – Matutino (50) e Noturno (50 – 2º sem.); Pedagogia – Matutino (50) e Noturno (50 – 2º sem.); Letras: Português e Espanhol – Matutino (30) e Noturno (30 – 2º sem.); Ciências Sociais – Matutino (35) e Noturno (50 – 2º sem.).
Paraná: 480 vagas
Campus Realeza

Campus Laranjeiras do Sul
Ciências Biológicas – Noturno (40); Física – Noturno (30); Letras Português e Espanhol – Noturno (30); Medicina Veterinária – Integral (50); Nutrição – Integral (40); Química – Noturno (30).

Agronomia – Integral (50); Ciências Econômicas – Integral (50); Engenharia de Alimentos – Integral (50); Engenharia de Aquicultura – Integral (50); Interdisciplinar em Educação no Campo - Integral (30); Interdisciplinar em Educação no Campo – Integral (30 – 2º semestre).
Rio Grande do Sul: 700 vagas
Campus Cerro Largo

Campus Erechim
Administração – Integral (50); Agronomia – Integral (50); Ciências Biológicas – Integral (60); Engenharia Ambiental – Integral (50); Física – Noturno (30); Letras Português e Espanhol – Noturno (30); Química – Noturno (30).

Agronomia – Integral (50); Arquitetura e Urbanismo – Integral (50); Engenharia Ambiental – Integral (50 – 2º semestre);Filosofia – Noturno (50); Geografia – Noturno (50); História – Noturno (50); Pedagogia – Noturno (50); Ciências Sociais – Noturno (50)
NOVA POLÍTICA DE INGRESSO
A UFFS reservará vagas aos candidatos que cursaram integralmente ensino médio em escola pública na porcentagem equivalente a de alunos matriculados no ensino médio da rede pública de ensino, de cada estado em que a UFFS está instalada. Dessa forma, o processo seletivo será diferenciado em Santa Catarina, no Paraná e no Rio Grande do Sul.
Em Santa Catarina, de acordo com o Censo Escolar (2011/INEP/MEC) 86% dos alunos estão matriculados no ensino médio na rede pública. Já no Rio Grande do Sul esse percentual sobe para 89%, enquanto que no Paraná 87% dos alunos estão na rede pública.
Dentro de sua autonomia, a UFFS destinará, ainda, 5% das vagas para alunos que cursaram parcialmente o ensino médio em escola pública ou em escolas cujo orçamento seja, no mínimo, 50% composto por recursos públicos. Sendo que 4% desse percentual incidirá sobre as vagas reservadas àqueles que cursaram integralmente o ensino médio em escola pública e 1% incidirá sobre as vagas restantes, chamadas de vagas da Ampla Concorrência (AC).
A lei dispõe, ainda, sobre a reserva de vagas para os autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Com base nos dados do Censo IBGE 2010, Santa Catarina tem 16%, Rio Grande do Sul 17% e Paraná 29% da população que se enquadra nas cotas para pretos, pardos ou indígenas. Essa reserva é para candidatos que cursaram integralmente a escola pública e será inserida, nessa porcentagem, em cada um dos segmentos de renda familiar.
Das vagas reservadas, 50% são destinadas para candidatos com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita e 50% para candidatos com renda familiar bruta superior a 1,5 salário mínimo per capita.
No momento da inscrição, o candidato poderá optar pela inscrição em um, entre seis grupos, conforme seu perfil. Para facilitar e esclarecer esse processo de ingresso, a UFFS confeccionou uma cartilha didática, disponível também online.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Clima e Aquecimento


Foto: João palmeiro

Quando se fala em aquecimento global, a principal questão de desacordo entre os especialistas é com que profundidade a interação humana afeta a biodiversidade, e os reais efeitos que pode causar no clima do planeta.

As opiniões se dividem entre os que defendem que nossa ação influi direta e drasticamente no meio ambiente e os que chegam a afirmar que tudo não passa de um ciclo natural do planeta.

Entre os que alertam para o aquecimento global e a necessidade extrema de contribuirmos para o resfriamento do planeta está James Hensen, cientista climático da NASA. Em entrevista concedida ao jornal “De Spiegel”, afirma que “se não tomarmos uma atitude os níveis do mar podem subir até 2,74 metros até o fim do século” e isso afetaria pelo menos 40 milhões de pessoas.Segundo Hensen, aproximadamente 102% do aquecimento é motivado pela atividade humana, “o clima estaria esfriando se não fosse pelas emissões provocadas pela humanidade”.

O extermínio da fauna e flora do planeta também é uma preocupação do pesquisador: além do deslocamento para os polos ter se acelerado “o fato de várias espécies estarem confinadas a certas áreas porque os humanos ocuparam grande parte do planeta, fica evidente que para elas será muito difícil migrar. Portanto, é provável que uma grande parcela das espécies da Terra seja extinta.”

Anthony Watts, meteorologista norte-americano, denunciou incorreções nos cálculos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) da ONU. Do ponto de vista de Watts, as estações de medição que ficam em grandes cidades e locais mais afetados pelo calor têm substituído dados das medições em altitudes mais elevadas. Ele acredita que o monitoramento via satélite é o mais adequado, sendo apoiado por outros pesquisadores como o professor de ciências atmosféricas John Christy, da Universidade do Alabama, que já esteve entre os principais autores do IPCC.

Na contra-mão dessas opiniões, Luiz Carlos Molion, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas e representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirma que o fenômeno do aquecimento global não é relevante, e que a Terra vai esfriar nos próximos 20 anos e que as emissões na atmosfera provocadas pelo homem são incapazes de causá-lo. “A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta”, afirma.

Com base em dados de acompanhamento da temperatura dos oceanos, Molion assegura que estes estão perdendo calor. Para o pesquisador, o derretimento das geleiras não afeta o nível do mar, uma vez que o gelo derretido é apenas superficial. Afirma ainda, que o nível do mar não vem aumentando. “Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global”, defende.

Acreditando ou não na interferência decisiva do homem no fenômeno das mudanças climáticas, o ideal é utilizar com sabedoria os recursos naturais: buscar a adoção de energia limpa e renovável, além do convívio sustentável com a biodiversidade do planeta.

Publicado originalmente no blog Esquecimento Global
03/05/2010

Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável


Para os que curtem a revista "Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável", publicada pela EMATER/RS, e mesmo para os que ainda não conhecem a revista, encontra-se disponível a versão digital da edição 02/2012, do mês de agosto do mesmo ano.




Para quem tiver interesse em visualizar as demais edições anteriores, as mesmas se encontram disponíveis neste link:

http://www.emater.tche.br/hotsite/revista/