quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A segurança alimentar e a desinformação do consumidor




Flávio Finardi Filho é presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), especialista em segurança dos alimentos e pesquisador do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Universidade de São Paulo (USP). Artigo publicado no Correio Braziliense de hoje (6).


Os organismos geneticamente modificados (OGMs) - ou transgênicos - são uma realidade no agronegócio mundial e brasileiro. A maior parte da soja e do milho, matérias-primas de alimentos industrializados, é de origem transgênica e foi importante no processo de consolidação do País em potência agrícola. Aprovado recentemente, o feijão transgênico figurará, em breve, no rol dosprodutos utilizados pelo brasileiro, assim como cana-de-açúcar e eucalipto, já em fase de estudos.


Se, por um lado, os OGMs se firmaram no agronegócio, o mesmo não se pode dizer quanto ao conhecimento dos consumidores sobre eles, como no aspecto da segurança dos alimentos. E é sobre esse ponto que vale esclarecer a posição da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), instância colegiada vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A CTNBio é responsável pela avaliação científica de biossegurança dos transgênicos. O processo envolve altos níveis de sofisticação e detalhamento, seguindo rigorosos critérios de padrões internacionais. Os membros e assessores técnicos da comissão são cientistas e pesquisadores renomados, doutores especialistas nas questões de segurança dos processos de transformação nas áreas humana, animal, vegetal e ambiental.

As análises, baseadas em aspectos científicos, não sofrem nenhum tipo de influência, seja ela política, seja por parte de empresas. Quando um OGM é aprovado pela CTNBio, a chancela leva em conta características nutricionais, toxicológicas, alergênicas e ambientais, entre outras.

Quanto à desinformação ao consumidor há muito a ser feito. É comum vermos pessoas confundindo transgênicos com gordura trans e atribuindo o seu cultivo ao aumento do uso de agroquímicos. No entanto, é fato que a aceitação dos OGMs tenha aumentado nos últimos anos, mas fica claro que a discussão sobre o assunto deve ser fomentada pela imprensa, indústria, empresas de biotecnologia e o próprio governo, sempre com o intuito de desmitificar as informações equivocadas existentes, a começar pela rotulagem de alimentos.

É inegável que o consumidor tem o direito de saber se um produto que está em sua mesa contém OGMs, mas o rótulo com a letra T dentro de um triângulo amarelo não ajuda a esclarecê-lo sobre a segurança e inocuidade, já cientificamente analisados pela CTNBio. Podemos afirmar que os transgênicos são tão seguros quanto os análogos convencionais, pois foram testados exaustivamente antes de aprovados.

O aspecto positivo na questão é a quebra de paradigmas e de comportamento em países historicamente contrários ao seu consumo, principalmente na Europa. Recentemente, grupos de agricultores europeus manifestaram-se a favor da adoção de OGMs, ótima notícia para o Brasil, hoje um dos grandes produtores e exportadores mundiais de alimentos transgênicos. Ainda há longo caminho a ser trilhado, mas com a correta informação ao consumidor, aliada ao aumento dos recursos e investimentos em pesquisas e novos projetos, o Brasil pode ampliar sua referência em biotecnologia.

Flávio Finardi Filho
06/12/2012

Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia é oficialmente instalada



comissao cnapo


















Foi oficialmente instalada nesta terça-feira (20/11), no auditório do anexo do Palácio do Planalto, em Brasília, a Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, responsável por articular governo e sociedade civil na elaboração do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. A solenidade contou com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Mendes Ribeiro (Agricultura), além de representantes da sociedade civil.
De acordo com Gilberto Carvalho, a ambição do governo federal é mudar a cultura tanto dos produtores como dos consumidores no incentivo do cultivo de produtos orgânicos. “O que queremos é mudar a lógica, o modo de vida, o consumo e a propriedade, possibilitando incluir os sem terra, indígenas e quilombolas” disse o ministro. Carvalho afirmou que a presença dos ministros na solenidade demonstra que “o governo está fazendo uma escolha” e lembrou que o papel da Secretaria-Geral da Presidência da República na Comissão é “possibilitar a participação”. “Este trabalho não pode ser feito sem a sociedade”, concluiu.
O ministro Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) lembrou da necessidade de reforçar a pesquisa e a produção de conhecimento da agricultura orgânica e da agroecologia. O ministro afirmou que é essencial que os ministérios envolvidos possam construir políticas públicas voltadas para a comercialização, produção e capacitação. Já a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) lembrou do esforço do governo em conciliar o social e o ambiental. “O Brasil não precisa ser campeão do uso de agrotóxicos para produzir alimentos para o mundo”, disse. “É preciso mostrar à sociedade brasileira que podemos implementar a produção de alimentos protegendo o meio ambiente, desde a questão da água até o uso excessivo de agrotóxicos”, concluiu.
Selvino Heck, secretário-executivo da Comissão, representando a Secretaria-Geral da Presidência da República, enfatizou os objetivos centrais dos trabalhos. “Nossa meta é promover a participação da sociedade na elaboração do Plano e da Política de Agroecologia”. A Comissão é formada por representantes de 14 órgãos e entidades do Executivo federal e por 14 entidades titulares e 14 entidades suplentes representantes da sociedade civil.
Sociedade Civil – O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Francisco Dal Chiavon, afirmou que é preciso fazer mudanças no modelo de produção agrícola para implementar a agroecologia. Segundo ele, a alimentação é questão de segurança nacional e que o Estado tem papel fundamental em construir um novo sistema que incentive a produção orgânica. Romeu Leite, integrante da Câmara Temática da Agricultura Orgânica, ressaltou que a criação da Comissão é um momento histórico. Leite, entretanto, citou algumas dificuldades a serem enfrentadas pelos produtores orgânicos, como a falta de sementes, já que no mercado só se encontram sementes transgênicas, a ausência de capacitação e de assistência técnicas.
Decreto da presidenta Dilma Rousseff instituiu em 21/08/12 a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). O documento prevê a elaboração de um plano com metas e prazos a serem cumpridos pelo governo federal e determinou elementos como a concessão de crédito, seguro, assistência técnica e pesquisa para ampliar a produção de base agroecológica no Brasil.
A Política Nacional de Agroecologia foi formulada de forma participativa, com engajamento da sociedade civil. Além da incorporação das pautas de movimentos sociais, a participação da sociedade civil se deu por meio de um seminário nacional e cinco seminários regionais coordenados pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com apoio do Ministério do Meio Ambiente. As Comissões Estaduais da Produção Orgânica (CPOrg) e a Câmara Temática da Agricultura Orgânica (CTAO) também integraram o processo. Participam ainda entidades como Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de técnicos de vários ministérios e órgãos públicos.
Em maio deste ano, a Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, implementou o Plano de Mobilização e Participação Social para a Agroecologia. Foi promovido o encontro ‘Diálogos Governo e Sociedade Civil’ para debater o conteúdo do decreto, a estrutura de governança da política e colher subsídios para o Plano. Um grupo de trabalho composto por dez ministérios e órgãos públicos, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, consolidou a proposta.
Histórico – A pauta de incentivo à produção orgânica é reivindicação de diversos movimentos sociais do campo e foi apresentada à presidenta Dilma Rousseff durante a Marcha das Margaridas de 2011. Promovida pela Contag, a Marcha contou com a participação de 70 mil trabalhadoras. Na ocasião, a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso de determinar que o governo construísse uma política de agroecologia em diálogo com os movimentos sociais. A iniciativa atende também às demandas da juventude rural apresentadas durante a 2ª Conferência Nacional da Juventude, com iniciativas que articulam formação, troca de experiência e fomento direto a práticas para fortalecer a geração de renda.
Vantagens – De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), a produção agroecológica e orgânica é livre de agrotóxicos e prima pelo uso racional dos recursos naturais, como a água e o solo. A Política beneficia principalmente a agricultura familiar, maior produtora de orgânicos e produtos agroecológicos do país. O mercado para estes produtos vem crescendo a taxas de dois dígitos no país e no mundo. No Brasil, o mercado expande cerca de 20% ao ano – acima da taxa mundial, de 15%. O mercado nacional ainda tem bastante espaço para crescer – hoje são aproximadamente R$ 400 milhões, valor ainda pequeno se comparado aos mais de R$ 80 bilhões do mercado externo. Com maior estruturação, os agricultores familiares podem exportar seus produtos. O MDA estima que existam no país mais de 90 mil produtores agroecológicos, dos quais 85% são agricultores familiares.

22/11/2012

Agricultores do Sergipe retomam cultivo de maracujá


O município de Canindé do São Francisco já foi um grande produtor de maracujá, tendo alcançado, há cerca de 10 anos, uma área plantada de aproximadamente 40 hectares



Problemas com pragas e doenças, além do baixo valor pago pelo mercado na época, fizeram a maioria dos produtores desistirem do cultivo da fruta. Hoje, os irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia, da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação (Cohidro), incentivados pela assistência agronômica da Empresa, retomam o cultivo da planta com perspectivas de superação do status anterior, aumentando índice de produção.

Segundo o engenheiro agrônomo Remi Bastos, especialista e responsável pelas ações fitossanitárias na Cohidro, o maracujá em Canindé sofreu com a decadência de seu cultivo no passado, reunindo diversos fatores. “No geral, foi a falta de habilidade no manejo da cultura, tais como, tratos culturais, fitossanitários, manejo de irrigação e mercado, fizeram com que a exploração da mesma fosse interrompida”, esclareceu, assinalando que os problemas encontrados no passado e os atuais, podem ser superados com o apoio técnico necessário, usando os insumos corretos.

“As ocorrências de pragas consideradas preocupantes para a cultura, compreendem a lagarta dione, percevejos e ácaros, que encontram-se controlados. Entre as doenças, a bacteriose mancha oleosa, a verrugose e a antracnose, sendo esta última comum, principalmente, em frutos em estádio de maturação ou quando em contato com o solo”, enumerou o agrônomo Remi Bastos, ressaltando a importância da assistência técnica oferecida pela equipe da Cohidro no Perímetro, desenvolvendo um trabalho de acompanhamento do cultivo em Canindé, através do manejo integrado de pragas e doenças no maracujazeiro.

O irrigante do Perímetro Califórnia, Geovani Barros, usou sua experiência com cultivo do maracujá na Bahia e apostou no plantio de dois hectares em Canindé. A cultura recebeu adubação de fundação e de cobertura, além dos tratos culturais necessários, sendo as aplicações de insumos realizadas com orientação técnica. “O início da colheita ocorreu aos sete meses de idade do plantio, tendo-se obtido até o momento uma produção de aproximadamente 10 toneladas por hectare”, revelou o produtor que tem como expectativa, para o segundo ano, conseguir uma produção em torno de 25 a 30 toneladas de maracujá por hectare, aumento natural conforme as plantas adquirem mais maturidade.

Foi na área de Geovani, que o especialista Remi Bastos encontrou a incidência da bacteriose mancha oleosa, causado pela bactéria Xanthomonas campestris pv. passiflorae, que se aproveita do clima quente do semiárido somado à umidade gerada pelo excesso de irrigação. “A doença ataca as folhas iniciando pelas suas extremidades que se tornam secas, os frutos ficam apodrecidos, alem dos ramos que secam, até matar a planta por completo. A doença é de difícil controle químico depois de totalmente instalada na cultura, mesmo porque são escassos os produtos com registro para o controle desta bacteriose. O que está sendo recomendado ao produtor, além das medidas de controle através o uso de antibióticos associados a fungicidas cúpricos, é a construção de barreiras altas, a exemplo de capins que protegem as plantas de maracujá da incidência de ventos”, explicou o agrônomo da Cohidro, que já prescreveu os devidos cuidados que o agricultor deve tomar com a praga.

“O combate à bactéria é feito com aplicações de sulfato de cobre mais um antibiótico à base de oxitetraciclina, um bactericida e fungicida faixa azul, considerado de toxidade leve. No entanto, o sucesso no uso de um produto depende primeiramente da forma como é aplicado, ou seja, existem regras como o horário que é feita a pulverização, a humidade do ar, temperatura e velocidade dos ventos, bem como a habilidade do aplicador. De preferência, devem-se realizar as aplicações nos horários em que o sol esteja ameno, tais como pela manhã cedo ou no final de tarde,” ensinou Remi Bastos, alertando também sobre a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPI).

Consórcio de culturas

Remi explica ainda que o consórcio de culturas resulta em aproveitar o mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época e que o plantio do maracujá em espaldeiras verticais permite que o espaço entre as linhas seja utilizado para introdução de outras culturas consorciadas, como árvores frutíferas de pequeno porte, o milho, o feijão outras leguminosas para a adubação verde. “É uma vantagem para o agricultor que aproveita melhor a água utilizada na irrigação e obtém mais lucratividade”, pontuou Remi Bastos, usando o exemplo do produtor Geovani Barros, que introduziu a acerola como planta consorciada aos maracujazeiros e que obteve sucesso.

Rural Centro

Da Redação

02/01/2013

Um bom horizonte para a produção de alimentos no RS


 

O secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan, avalia positivamente o futuro da produção de alimentos no Rio Grande do Sul. Mesmo com a possibilidade de algumas pequenas crises, há muito investimento sendo feito neste setor e o mercado mundial aponta para uma demanda crescente


A produção de alimentos tem papel fundamental na economia do Rio Grande do Sul. Em especial no Norte do Estado, a grande parte dos municípios tem como principal atividade a agricultura. São milhares de famílias que vivem desta atividade, sujeita às instabilidades climáticas e econômicas, mas que é essencial para a posição de destaque que o Brasil conquistou no cenário mundial.


Às vésperas de um novo ano, o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan, traça um cenário do atual momento desde setor. Ele faz uma avaliação positiva do atual momento e revela os rumos dos investimentos públicos nesta atividade. Para o secretário, é necessário um forte investimento em educação e preparação para o produtor rural, desta forma ele saberá tirar o melhor proveito do próximo momento que a produção de alimentos irá atravessar.


DM - Como o senhor avalia o ano de 2012 com relação aos trabalhos desenvolvidos pela Secretaria? 


Pavan – Um ano que apesar das dificuldades que tivemos com a estiagem, que nos fez perder 42% da safra de grãos, ainda assim, através das nossas políticas emergenciais, foi possível fazer um socorro importante para os produtores. Tivemos, através da Emater, 48 mil laudos para os agricultores acessarem o seguro, onde foram destinados R$ 300 milhões. Com os recursos do Orçamento do Estado tivemos o Carão Estiagem, a Cesta Básica para as comunidades mais empobrecidas e ainda assim, estruturamos um conjunto de programas que apontam para o próximo período com muitas e boas políticas de reestrutura de agricultura familiar. 


Avalio como um ano de muitas dificuldades pela estiagem, mas que nos permitiu estruturar um futuro promissor para a agricultura familiar gaúcha.


DM - Quais ações o senhor considera prioridade para a região Norte do Rio Grande do Sul para o ano de 2013?


Pavan – A região Norte tem sua base econômica principal na agricultura, a agricultura familiar tem uma forte contribuição no PIB regional e a exemplo das políticas para todo o Estado, entendemos que a prioridade é a organização econômica da agricultura familiar. 


A organização econômica pode ser feita através de cooperativas, uma profissionalização do agricultor cada vez maior, por isso estamos investindo na ampliação e qualificação da assistência técnica da extensão rural, diversificação das propriedades e a agregação de valor ao produtor do agricultor familiar. Não basta o agricultor ser um bom produtor de alimentos, ele precisa ir passo a passo avançando na direção de ser um bom produtor que agrega valor a sua produção e que ele mesmo comercialize para o consumidor. As cadeias curtas são o melhor para o produtor e para o consumidor, pois as duas pontas ganham e não o intermediário. 


Por isso, estamos incentivando as cadeias curtas, e esta é uma das nossas prioridades, e, além disso, proteger a propriedade com tecnologias adequadas de acordo com a vocação de cada uma das propriedades rurais de nosso Estado. 


Para ler a entrevista completa, acesse o link abaixo:


02/01/2013

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Soja transgênica e resistente à ferrugem será apresentada no Show Safra


(13/01) Participantes do Show Safra 2012 que acontecerá hoje e amanhã em Lucas do Rio Verde (distante 350 km de Cuiabá/MT) poderão conhecer a soja que alia duas tecnologias úteis aos produtores rurais: a resistência à ferrugem asiática (principal doença da sojicultora) e ao herbicida que tem como princípio ativo o glifosato. 


A novidade tecnológica será apresentada pela equipe da Tropical Melhoramento & Genética (TMG), empresa de capital nacional dedicada à criação e ao desenvolvimento de novas cultivares de soja. TMG 7188 RR e Inox (nome dado em alusão ao aço inoxidável) é o nome da soja que garantirá mais segurança ao produtor no controle da ferrugem asiática e às ervas daninhas. 



De acordo com Sergio Suzuki, diretor-superintendente da TMG para a região do Cerrado, a nova tecnologia contribui também para redução de custo de produção já que o produtor diminui no mínimo uma aplicação de fungicida. “Essa redução de aplicação impacta também no menor custo operacional”. 



A TMG 7188 RR apresenta alto potencial produtivo, é de ciclo tardio, tem bom desempenho em solos de média e alta fertilidade. “É um material para quem quer colher excelentes resultados de produtividade longe da ferrugem asiática e das ervas daninhas”, afirma o diretor. 



Agrônomos da TMG estarão no Show Safra para mostrar a cultivar no campo, tirar dúvidas dos produtores e apresentar os diferenciais das duas tecnologias presentes na TMG 7188 RR. 



O Show Safra é realizado pela Fundação Rio Verde e parceiros. Nesta 11º edição do evento terá vitrines tecnológicas, palestras, oficinas técnicas, apresentação de novas tecnologias para as culturas de soja, milho, algodão, feijão e arroz.

31/12/2012

O consumo de transgênicos é seguro?


(23/01) A comercialização dos transgênicos no Brasil ainda se resume a soja, milho e algodão, mas já há estudos com feijões - outros países também pesquisam grãos de arroz. Polêmicos para alguns e totalmente desconhecidos para outros, os alimentos geneticamente modificados são produzidos com o objetivo de reduzir perdas na lavoura e de incrementar o valor nutricional. Especialistas afirmam que, apesar da mudança na genética dos grãos, os produtos disponíveis no mercado brasileiro são totalmente seguros à saúde humana e que antes de chegar às prateleiras dos supermercados, tanto o milho quanto a soja e outros derivados dos transgênicos, passam por rigorosa avaliação técnica até a sua liberação. 


O médico, bioquímico e pesquisador do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Walter Colli, explica que o alimento geneticamente modificado produz proteínas que impedem o consumo das culturas pelas pragas, como as lagartas. Segundo ele, estudos em laboratórios comprovam que essa proteína não faz mal algum à saúde humana. 



''A proteína é ingerida e em cerca de dois minutos é degradada no nosso estômago, ou seja, ela faz mal apenas à lagarta. Essa mesma proteína já está sendo consumida por um grupo de pessoas nos Estados Unidos há 15 anos e ninguém teve problema até hoje'', diz. 



O especialista explica também que alguns transgênicos também são resistentes aos herbicidas, o que faz com que o uso de agrotóxico na lavoura seja diminuído. ''Quando o agricultor não usa nenhum transgênico precisa aplicar uma grande quantidade de agrotóxicos para matar as pragas. Já em relação à soja que tem o gen contra o herbicida, o produtor só precisa jogar veneno para matar o mato'', diz. 



Segurança 



Cientistas de importantes academias de ciência nacionais e internacionais defendem a adoção de plantas geneticamente modificadas na agricultura como um dos meios de reduzir a fome no planeta e melhorar a qualidade dos alimentos consumidos pela população. 



De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), 74% dos brasileiros nunca ouviram falar em transgênicos ou organismos geneticamente modificados. O presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Aluízio Borém, explica que qualquer variedade transgênica passa por uma análise de biossegurança na CTNBio antes de ser comercializada. Além de serem avaliados possíveis riscos para a saúde, riscos ambientais também são criteriosamente avaliados. 



''Toda variedade transgênica passa por uma série de testes que procuram avaliar possíveis agentes alergênicos do alimento para o ser humano. Esses testes são feitos e repetidos por diferentes instituições de pesquisa'', conta. 



Segundo Borém, a proteína diferenciada produzida pelo alimento mudado geneticamente é observada e testada para que seja comprovado que não há risco algum de desenvolver alergia em algumas pessoas. Ele explica que em laboratórios os pesquisadores simulam a digestão que ocorre no trato intestinal e constatam quando elas se decompõem normalmente ou não. Quando a proteina é resistente à digestão, é sinal de alerta. 



''No Brasil, somente alimentos considerados comprovados estão sendo consumidos. A primeira variedade transgênica que chegou ao mercado teve origem nos Estados Unidos e se tratava de tomate. Desde então, milhares - e hoje já bilhões - de pessoas vêm consumindo alimentos transgênicos sem qualquer efeito prejudicial à saúde'', finaliza Borém. 



Fernanda Borges
31/12/2012


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Investimentos na agricultura familiar melhoram a qualidade de vida



No povoado Mangue Grande, em Boquim, região Sul de Sergipe, é difícil encontrar uma propriedade onde não se cultive laranja. Em cada terreno, as histórias se repetem e a atividade passa de pai para filho. Para esses agricultores, a laranja é mais que trabalho, é provedora. No povoado, a citricultura também comprova que investimentos na qualificação da agricultura familiar interferem diretamente na qualidade de vida dos trabalhadores rurais: quem produz melhor, tem uma renda maior e mais chances de conquistar mercado.

Esse salto qualitativo pode ser verificado através do Programa de Aquisição de Alimentos da Laranja (PAA da Laranja). Executado pelo Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o PAA integra o conjunto de medidas de enfrentamento da fome e da pobreza no Brasil lançado pela presidenta Dilma Rousseff.
Além disso, a iniciativa busca consolidar a agricultura familiar como segmento de mercado - e não mais como atividade de subsistência - através da aquisição direta de produtos de agricultores familiares ou de cooperativas, sem intermediários. A compra da produção é feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e parte dos alimentos é adquirida para a formação de estoques estratégicos e distribuição à população em maior vulnerabilidade social.
Foi por meio do PAA que os agricultores vinculados à Cooperativa dos Produtores Agrícolas do Sul de Sergipe (Cooptasul) conseguiram custear a industrialização do produto in natura e disputar mercado com as fábricas de suco de laranja. Inicialmente, a produção do suco buscava atender as determinações do Programa, que compra a fruta e distribui o suco para famílias em situação de risco alimentar.  Hoje, a Cooptasul analisa propostas de Pernambuco, Alagoas e Pará para comercializar o produto.
“A Cooperativa começou a industrializar a laranja para atender à Conab, que paga pela laranja, mas recebe o suco. Esse valor da industrialização é descontado do montante repassado para os agricultores pela Conab. A partir daí, eles começaram a se organizar para industrializar a produção que não é vendida para o PAA e agora estão conquistando outros mercados. Quem adere ao PAA pode participar da Feira de Agricultura Familiar, são programas que se somam”, explicou o técnico em agropecuária da Emdagro, Joetônio Ferreira.
“O valor pago através do PAA representa mais que o dobro do que o agricultor recebia no comércio normal. Com esse dinheiro, conseguimos industrializar o suco da laranja em embalagens descartáveis de um litro e comercializá-lo com mais qualidade. Nossa meta agora é começar a vender o néctar de laranja para outras prefeituras municipais”, afirmou o representante da Cooptasul, Gerson Costa.
O secretário de Estado de Agricultura, José Sobral, explicou que além de estimular a produção de laranja, o Programa aumenta a renda dos agricultores familiares, já que o preço negociado pela Conab (R$ 380 por tonelada da fruta) é muito acima do negociado pelas indústrias de suco. “A indústria de cítricos está pagando R$ 150 pela tonelada da laranja, enquanto a Conab paga R$ 380. A diferença representa um ganho significativo para o pequeno produtor, que pode investir na sua terra, qualificar a sua produção. Esse programa é de fundamental importância para a nossa região citrícola. Estamos ampliando a quantidade de agricultores inseridos no programa e o valor dos recursos. Tínhamos em torno de 600 produtores, estamos partindo para 1.500 agricultores. Tínhamos um volume de recursos entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões e teremos R$ 6 milhões de uma única vez. Valor disponível para ser utilizado ainda este ano”, disse.

Para ler a reportagem completa, acesse o link: http://www.faxaju.com.br/viz_conteudo.asp?id=155306

Ana Dulce, repórter da ASN
26/12/2012