segunda-feira, 22 de abril de 2013

O alto custo da submissão ambiental



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No final da década de 1980, o Brasil tinha um dos sistemas de geração de eletricidade mais eficientes do mundo, que oferecia tarifas a custos módicos aos consumidores comerciais e residenciais e tinha um alto nível de segurança. Por ser baseado em quase 90% em usinas hidrelétricas, detinha a vantagem estratégica de poder “armazenar energia” em forma de água, pois os reservatórios das usinas tinham reservas para até dois anos seguidos de chuvas insuficientes, o que diminuía consideravelmente os riscos para o abastecimento. Sem entrar na discussão sobre as mudanças estruturais implementadas na década de 1990, que converteram a eletricidade em commodity, as vantagens do sistema desapareceram, com as tarifas decolando para os níveis mais altos do planeta e a segurança do abastecimento comprometida pela submissão de sucessivos governos aos ditames do movimento ambientalista-indigenista internacional.
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Há duas décadas, os reservatórios das hidrelétricas brasileiras detinham reservas que lhes permitiam enfrentar até dois anos seguidos de chuvas insuficientes. Hoje, com as rigorosas restrições impostas ao tamanho dos reservatórios por critérios ambientais, esta capacidade caiu para apenas seis meses e, considerando as usinas que deverão ser concluídas nos próximos anos, deverá cair para menos de cinco meses, até 2015. Tal vulnerabilidade constitui um verdadeiro crime de lesa-pátria, que se permitiu ser perpetrado contra o País, por conta de sucessivas concessões e omissões, e do qual toda a sociedade está sujeita às suas eventuais consequências.
Outro grave “impacto ambientalista” sobre a expansão da infraestrutura energética têm sido os grandes atrasos impostos aos empreendimentos pelos processos de licenciamento, com frequência, causados deliberadamente por tecnocratas ideologicamente comprometidos com as causas ambientalistas e indigenistas, encastelados, principalmente, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em uma audiência na Câmara dos Deputados, em maio de 2007, o então ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner (atual diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica-ANEEL), apresentou os resultados de um levantamento referente a 63 empreendimentos licenciados pelo IBAMA, entre 1997 e 2006. Neles, a concessão da Licença Prévia (LP), sem a qual o projeto de engenharia não pode ser iniciado, levou em média seis anos e meio – contra os 18 meses previstos pelos prazos legais regulamentares.
A campanha contra a usina hidrelétrica de Belo Monte se tornou emblemática da investida ambientalista-indigenista contra o País, cujo objetivo maldisfarçado é impedi-lo de exercer a sua soberania plena sobre a ordenação física e econômica do território nacional. Originalmente, a usina, que originalmente se chamava Kararaô, era uma das seis que se pretendiam construir na bacia do rio Xingu, de forma a maximizar o aproveitamento múltiplo do rio. Entretanto, as sucessivas concessões ao ambientalismo-indigenismo acabaram por descaracterizar totalmente o projeto, além de atrasá-lo em mais de duas décadas. Entre elas, além do próprio nome da usina, destacou-se a redução do seu reservatório a um terço do tamanho original, o que, além de reduzir a potência nominal, de 15 mil MW para 11,2 mil MW, fará com que a potência firme fique em torno de 4 mil MW, caindo para apenas cerca de 1.000 MW nos períodos secos (ironicamente, esse baixo rendimento é uma das principais críticas feitas pelos opositores “verdes” do projeto, indiretamente responsáveis por ele).
Embora o afastamento deliberado do Estado da expansão do setor energético, a partir da década de 1990, tenha contribuído para o atraso na implementação do projeto, se pelo menos Belo Monte tivesse sido construída com a configuração e no prazo originalmente previstos, possivelmente, o País teria sofrido menos os efeitos do “apagão” de 2000-2001 e, agora, estaria bem menos vulnerável à ameaça de um novo racionamento.
Outra vítima da fúria “verde” foi o programa nuclear, cujo avanço foi, também, grandemente prejudicado pelas vacilações governamentais em relação ao setor. Como resultado, a conclusão das usinas Angra 2 e 3, remanescentes do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, da década de 1970, foi longamente atrasada. A primeira entrou em operação apenas em 2000 e a segunda só deverá começar a operar em 2016. Assim como no caso de Belo Monte, se a última já estivesse concluída, haveria menos riscos para o sistema elétrico integrado.
Em todos esses casos, a miopia estratégica e a tibieza política das lideranças nacionais se combinaram para agravar um problema que, hoje, representa um sério entrave e um risco para as perspectivas de crescimento da economia, já por si prejudicadas pelos efeitos da crise sistêmica global. A esperança é que o choque de realidade da presente ameaça seja forte o suficiente para catalisar uma imprescindível mudança de rumo, que possa afastar definitivamente a influência do fanatismo “verde” na formulação das políticas públicas brasileiras.
Movimento de Solidariedade Íbero-americana
Disponível em: Blog do ambientalismo
Publicado em: 22/01/2013

Pesquisadores tentam salvar o café das mudanças climáticas



O Brasil é o maior produtor de café do mundo, responsável por 25% da produção global. Mas isso pode mudar com as alterações no clima previstas por pesquisadores.
O café é a bebida preferida do mundo e a commodity mais requisitada depois do petróleo. Mas ele pode estar ameaçado pelas mudanças climáticas. Com um quarto da produção mundial, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do planeta, e o consumo da bebida aumenta cada vez mais. Segundo o IBGE, a estimativa para o ano de 2013 no Brasil é de colher 47,8 milhões de sacas de 60kg de café, mais de 2 milhões de toneladas.
No entanto, pesquisadores afirmam que as alterações no clima podem influenciar na produção do grão. Especialmente o café do tipo arábica, sensível a altas temperaturas, pode ter a produção seriamente prejudicada. Para evitar problemas no futuro, pesquisadores fazem simulações e tentam achar uma maneira de manter o cultivo, mesmo em situações adversas.
Previsões pessimistas
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) estima que as temperaturas ao redor do globo podem subir de 1,8ºC a 4ºC até o final do século 21. O que, segundo especialistas, apresenta sérios desafios para a indústria cafeeira nas próximas décadas.
No Brasil, o tipo café mais ameaçado é o arábica, que representa 73% do grão colhido no país. A temperatura ideal para este tipo de café é de 18ºC a 22ºC. De acordo com o professor Hilton Silveira Pinto, pesquisador e professor da Unicamp, o aumento de 1ºC na temperatura já implicaria na perda de cerca de 25% da produção.
Isso porque se durante o florescimento das árvores houver um único dia de temperatura acima de 23ºC, a perda de flores é significativa. O professor comenta ainda que, nos últimos anos, em algumas regiões como São Paulo, foram registrados até 10 dias com temperaturas acima de 23ºC no período de setembro a outubro.
Pinto explica que, numa previsão mais pessimista e extrema, em que o aumento da temperatura fosse de 3ºC – o que aconteceria entre 2030 e 2040 –, a queda na produção de café poderia chegar a 30 milhões de sacas. O que significaria uma quebra de safra de 90%, ou seja, 10,6 milhões de hectares de café a menos.
Atualmente são produzidos cerca de 2 milhões de toneladas de café por ano. Com o aumento de 1ºC, esse número cairia para 1,54 milhão. Com 3ºC a mais, a produção seria de apenas 840 mil toneladas por ano. E num caso crítico, com 5,8ºC de aumento na temperatura, a produção cairia para 160 mil toneladas.
A caminho da serra: plantar em lugares mais altos pode ser a solução para escapar do aumento da temperatura

Leia mais em http://dw.de/p/18EKf
  • Data 17.04.2013
  • Autoria Kamila Rutkosky
  • Edição Francis França

Plantio direto garante redução nos custos da agricultura




O plantio direto – sistema que dispensa o revolvimento do solo e evita erosão com semeadura direta na palha sob o solo – está em pleno crescimento no Brasil, garantindo a redução nos custos de produção, especialmente de grãos. O melhor exemplo vem do Rio Grande do Sul, com 90% de sua área plantada já dentro do novo sistema. A informação foi dada pelo engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, da Cooperativa de Agricultores de Plantio Direto, durante palestra no Seminário sobre o Dia Nacional da Conservação do Solo, comemorado em 15 abril.

No início da década de 90, o Rio Grande do Sul tinha apenas 4% de sua fronteira agrícola no sistema de plantio direto. Além disso, com a inovação, segundo Gassen, a erosão do solo na região foi reduzida em 96%.

O Seminário, uma parceria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), mostrou aos participantes o avanço do sistema do plantio direto, que vem representando melhorias na produtividade e redução nos custos de produção do agricultor. “Na verdade, estamos presenciando a ascensão da segunda geração de agricultores brasileiros que nunca usou o arado”, destacou Gassen.

Resultados concretos – Segundo o agrônomo, o plantio direto, sistema que surgiu no Brasil na década nos anos 70 e se fortaleceu na década de 90, enfrentou inicialmente a desconfiança dos produtores. Ao longo desse tempo, no entanto, os ganhos obtidos pelos agricultores que aderiram à nova técnica foram concretos.

Gassen lembrou que, com plantio direto, foi possível reduzir os custos de produção com fertilizantes, combustíveis e herbicidas, evitando a degradação do solo. Os pioneiros que adotaram o modelo, segundo ele, protegeram o solo e reduziram a perda de água, evitando a erosão da terra. “Foram os verdadeiros semeadores de uma nova maneira de cultivar a terra, sem agredi-la e ainda conseguindo ganhos de produtividade e melhor retorno financeiro”, avaliou.

Para Gassen o sistema do plantio direto é um processo de aprendizagem que está caminhando bem no País. Isso apesar das dificuldades inerentes a tudo aquilo que representa o novo e rompe com hábitos já enraizados. O Brasil possui uma vantagem relativa em relação aos Estados Unidos, por exemplo. Lá o plantio direto é alternado, um ano sim, outro não, devido às peculiaridades do clima. Por aqui, disse, o processo é contínuo. As culturas onde o sistema do plantio direto está mais presente são as do arroz, milho e soja.


Assessoria de Comunicação CNA 
Telefone: (61) 2109 1411/1419 
www.canaldoprodutor.com.br

Publicado em: 16/04/2013.

quinta-feira, 28 de março de 2013

FAO anuncia que 2014 será o Ano Internacional da Agricultura Familiar


A ONU declarou 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF 2014). O objetivo é sensibilizar governos e sociedades sobre a importância e a contribuição da agricultura familiar para a segurança alimentar e a produção de alimentos. A informação foi divulgada no último Boletim de Agricultura Familiar da Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO).


Segundo o chefe de Políticas da FAO, Salomon Salcedo, o setor é um dos pilares da segurança alimentar regional: “80% das propriedades na América Latina e no Caribe fazem parte da agricultura familiar. O setor gera cerca de 70% do emprego agrícola na região”, afirmou.



Para organizar as suas atividades do Ano, foi criado o Comitê Mundial de Acompanhamento do AIAF 2014, com a participação de 12 Estados-Membros, além de representantes de agências da ONU, do Fórum Mundial Rural, da União Europeia, de organizações de produtores e do setor privado.



Segundo a FAO, considerando apenas os países do Mercosul, o setor emprega diretamente cerca de 10 milhões de pessoas. Ele também é fundamental em termo de produção: no Brasil, é responsável por 38% da produção agrícola; 30% no Uruguai; 25% no Chile; 20% no Paraguai e 19% na Argentina.



Entretanto, houve um declínio acentuado nos gastos públicos em agricultura nos países em desenvolvimento, particularmente na América Latina e no Caribe. Nesta região, os gastos públicos totais em agricultura caíram de 6,9% em 1980 para 1,9% em 2007. Esta relação é de fato a mais baixa entre todos os países em desenvolvimento e contrasta com figuras como o Leste da Ásia e o Pacífico (6,5%), além do Sul da Ásia (4,9%).



Salcedo ressaltou que os governos devem proporcionar um ambiente favorável para que os produtores aumentem seu investimento e produção no setor, combinando a antiga sabedoria dos agricultores familiares com a evolução tecnológica moderna.


28/03/2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Biotecnologia reduz uso de água na agricultura


Plantas geneticamente modificadas (GM) favorecem o uso racional do recurso natural no campo e novas pesquisas apontam para ganhos de eficiência ainda maiores


Garantir que mais pessoas tenham acesso à água potável está entre os Objetivos do Milênio (ODM) da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o último relatório conjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) quase 800 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso a de água própria para beber. A aplicação de tecnologia em diferentes atividades é uma das maneiras de contribuir para racionalizar e distribuir este recurso natural. De acordo com levantamento feito pelo Water Resources Group, a agricultura é responsável por aproximadamente 71% do consumo de água em todo o planeta (o equivalente a 3,1 bilhões de m³). Por essa razão, muito se investe no aperfeiçoamento de técnicas agrícolas para preservar não somente os recursos hídricos, mas também os naturais.



A biotecnologia pode ajudar nesse uso sustentável por meio do desenvolvimento de variedades de plantas geneticamente modificados (GM) resistentes à seca ou cujas características diminuam o uso de defensivos químicos e, consequentemente, de água. No Brasil, os atuais eventos transgênicos disponíveis já trazem esse benefício. Segundo um estudo da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) e da Céleres Ambiental, os atuais eventos podem representar uma economia de aproximadamente 134 bilhões de litros de água entre 2010 e 2020. Essa quantidade seria suficiente para abastecer as cidades de Recife e Porto Alegre por um ano. Adicionalmente, já existem no País pesquisas com cana, soja e trigo geneticamente modificados (GM) para serem resistentes a estresses hídricos.



Sem o uso de tecnologia para aumentar a eficiência do uso de água no campo, em 2030 o setor primário será responsável pelo consumo de 4,5 bilhões de m³ de água, um aumento de 45% em relação a o que é gasto hoje. Adicionando a este número o uso industrial e doméstico, o total será de aproximadamente 7 bilhões de m³.


25/03/2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

“Competitividade do agronegócio passa pela biotecnologia” – Entrevista





“Competitividade do agronegócio passa pela biotecnologia” – Entrevista
O Portal Agrolink entrevistou com exclusividade a diretora-executiva do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), Adriana Brondani.

Agrolink - O Brasil finalmente venceu o preconceito contra a transgenia?

Adriana Brondani - Os brasileiros vêm, ao longo dos anos, reconhecendo os benefícios do uso de tecnologia nas mais diversas áreas, inclusive na agricultura e na alimentação. O monitoramento de publicações e manifestações online sobre transgênicos realizado pelo CIB mostra que, em maio de 2010, a reação à palavra transgênico era majoritariamente negativa (68%). Dois anos depois, em maio de 2012 a reação do público à mesma palavra já estava equilibrada, com 50% de reações positivas. 

O que aconteceu entre esses dois períodos é o mesmo que vem acontecendo desde a fundação do CIB, as pessoas estão tendo mais acesso a informações técnicas e científicas e, com isso, percebendo que a transgenia é uma tecnologia altamente regulamentada e que um produto geneticamente modificado (GM) é tão seguro quanto suas variedades convencionais. O último Trust Barometer, estudo feito pela consultoria Edelman e que mede a confiança das pessoas nas instituições, divulgado em março de 2013, reitera essa análise. 

O levantamento mostra que, de maneira geral, o público informado tende a confiar mais nas informações do que o público não informado. Além disso, a maior prova da confiança dos brasileiros na biotecnologia é a expressiva adoção de sementes GM na agricultura, 89% da soja plantada no Brasil é transgênica, 76% do milho e 50% do algodão. De acordo com o mais recente relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), o Brasil cultivou em 2012 36,6 milhões de hectares de variedades transgênicas. Esse desempenho coloca o País em segundo lugar no ranking de adoção, atrás apenas dos Estados Unidos. 


Agrolink - É possível afirmar que a agricultura precisa dos transgênicos para manter e melhorar sua performance?

Adriana Brondani - O objetivo de todas as tecnologias geneticamente modificadas (GM) já colocadas no mercado até agora é exatamente este: aumentar a performance na agricultura. Os 36 eventos agronômicos aprovados no Brasil hoje tem características agronômicas como a resistência a insetos, a tolerância a herbicidas ou as duas características combinadas. Essas são características que melhoram o desempenho das plantas no campo, facilitando o manejo, reduzindo perdas, assim, aumentando a produtividade.


Agrolink - Como os transgênicos podem ser decisivos para solucionar o problema da fome no mundo?

Adriana Brondani - O planeta hoje tem mais de 7 bilhões de habitantes. A previsão é que até 2025 sejamos 8 e, até o fim do século, 10 bilhões de habitantes. Uma das questões que esse crescimento populacional impõe é como alimentar esse número de indivíduos de maneira sustentável. O crescimento na produção de alimentos terá que ser acompanhado pelo aumento dos índices de produtividade no campo. O Brasil pode liderar este processo investindo em modificação genética. 

Por meio da biotecnologia podemos conseguir variedades de plantas mais resistentes, adaptadas, nutritivas e produtivas, o que reduziria a pressão por novas áreas agrícolas e contribuiria para a sustentabilidade. Certamente, a biotecnologia é mais uma ferramenta para aumentar a oferta de alimentos em consonância com práticas sustentáveis e preservação do meio ambiente. 

Contudo, serão necessárias ações integradas, que proporcionem mudanças nos sistemas de produção. Para tanto, é importante que se olhe para essa questão de maneira pragmática: a agricultura comercial, conduzida com padrões elevados de produtividade e qualidade, é uma parte fundamental do desafio de prover alimentos, fibras e biocombustíveis para todos os mercados. 


Agrolink - Como a agricultura brasileira pode crescer ainda mais com a biotecnologia?

Adriana Brondani - A competitividade do agronegócio, particularmente o tropical, passa pela aplicação dos conceitos e ferramentas da biotecnologia moderna para a superação de limitações e para adição de novas funcionalidades à produção agropecuária. A introdução de novas características e novas variedades pode aumentar a produtividade e a variabilidade dos gêneros agrícolas brasileiros, contribuindo para o crescimento do setor primário. 

Agrolink - O que se pode esperar da biotecnologia para o futuro? 

Adriana Brondani - No curto prazo, devem ser adicionadas às variedades já disponíveis (soja, milho, algodão, canola, entre outros) resistências a outros insetos, tolerância a outros herbicidas e combinar diversas dessas características visando uma semente cada vez mais protegida. 

No médio prazo, já é possível pensar na modificação genética de outras variedades (a exemplo da cana-de-açúcar, eucalipto, cítricos, trigo, arroz) com características agronômicas e também resistência a estresses abióticos (como tolerância a seca e resistência a solos com alto teor de salinidade). Para o futuro, ainda há a perspectiva de desenvolvimento de plantas com teor nutricional aumentado e que produzam substâncias com diferentes usos. 

É importante ressaltar, entretanto, que para o contínuo desenvolvimento da biotecnologia é preciso reconhecer a autoria das tecnologias geradas depois de anos de muita pesquisa e investimento. É graças ao sistema de remuneração de tecnologias como a modificação genética que é possível criar um modelo de negócios sustentável, também do ponto de vista econômico, que permita reinvestimento em novas pesquisas. A proteção intelectual pode ser utilizada como ferramenta para a criação de um círculo virtuoso de pesquisa, desenvolvimento e inovação. 

13/03/13
Autor: Leonardo Gottems

quarta-feira, 6 de março de 2013

Onde foi parar o aquecimento global?


A revista alemã Der Spiegel, o mais importante semanário do país, sempre foi uma das principais divulgadoras europeias dos cenários alarmistas sobre as mudanças climáticas. Por isso, quando o seu editor de Ciências escreve um artigo sobre a perplexidade de alguns cientistas diante da falta de correspondência entre os prognósticos dos modelos climáticos e os fatos observados no mundo real, convém prestar atenção.
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O artigo do jornalista Alex Bojanowski, publicado na edição online da revista, em 18 de janeiro tem o emblemático título «Pesquisadores Confusos Sobre Calmaria no Aquecimento Global». O autor é um dos ases do corpo editorial da revista, sendo detentor de um diploma de Geologia, tendo trabalhado na Áustria, Suíça e Reino Unido, além de ser também colunista da revista científica Nature Geoscience, que publica regularmente artigos sobre temas climáticos.
O texto de Bojanowski trata das repercussões do fato amplamente reconhecido de queas temperaturas globais deixaram de subir desde 1998, a despeito de as emissões de carbono provenientes dos combustíveis fósseis continuarem a subir e as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera continuarem aumentando. No trabalho ele sintetiza as questões fundamentais:
«Quão dramático é, de fato, o aquecimento global? Pesquisadores da NASA têm demonstrado que o aumento das temperaturas fez uma pausa de 15 anos. Existem várias explicações plausíveis de por que o aquecimento global se interrompeu. Entrentanto, o número de palpites também mostra quão pouco se entende o clima.»
Em seguida, vai ao cerne do problema:
(…) «Há algum tempo, é de conhecimento público que o clima tem se comportado de forma diferente do previsto [pelos modelos climáticos - N. dos E.]. O aquecimento está estagnado há 15 anos; a tendência de alta nas temperaturas médias globais não tem prosseguido desde 1998.»
«A parada tem gerado a sugestão de que o aquecimento global se interrompeu» — admite a NASA.
Recentemente, o Serviço de Meteorologia britânico [Met Office] prognosticou que a interrupção no aquecimento poderá continuar até o final de 2017 – a despeito do rápido aumento nas emissões de gases de efeito estufa. Então, o aquecimento global terá se interrompido por 20 anos. Quantos anos – é uma pergunta agora comum – a calmaria de temperaturas terá que durar para que os cientistas climáticos comecem a reconsiderar os seus prognósticos de aquecimento futuro? (…)
Ele mesmo chega à conclusão óbvia:
«Agora, temos 15 anos sem aquecimento. A estagnação das temperaturas superficiais médias globais demonstra que as incertezas nos prognósticos climáticos são surpreendentemente grandes. Agora, o público aguarda em suspense para ver se o próximo relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], que deverá sair em setembro, irá discutir a pausa no aquecimento.» (…)
Bojanowski passa, então, a discutir algumas das explicações apresentadas para o aparente “sumiço” do aquecimento global: absorção de calor pelos oceanos; redução da umidade da estratosfera; efeito das emissões de gases na Ásia; e resfriamento do Oceano Pacífico.
Para seu crédito, ele destaca que até mesmo o IPCC admite um conhecimento limitado sobre certos fatores intervenientes na dinâmica climática:
♦ «a influência da radiação solar na formação de nuvens; o ciclo da água: em particular, a influência do vapor d’água, um gás de efeito estufa [na verdade, o principal], nas temperaturas; o efeito das partículas emitidas pela indústria, aquecimento e veículos, oceanos, vulcões e solos: as partículas servem como núcleos de formação de nuvens.» (…)
Em contraste com as evidências físicas reais, Bojanowski apresenta o único argumento que resta aos “aquecimentistas”:
«Os pesquisadores têm mais confiança nos prognósticos de longo prazo. Estes prognósticos se baseiam, essencialmente, no efeito estufa do CO2, a assim chamada sensibilidade climática. Numerosos estudos mostram que uma duplicação da quantidade de CO2 na atmosfera, devido ao aumento da formação de vapor d’água [sic], provavelmente, levará a um aquecimento entre 2 e 4,5 graus centígrados.»
O artigo de Bojanowski (que parece ter esquecido o que aprendeu no curso de Geologia sobre as mudanças climáticas do passado geológico) reflete a perplexidade que se espalha entre os meios científicos, empresariais, ativistas ambientais, governos e mídia europeus, diante do cada vez mais evidente descompasso entre os cenários “aquecimentistas” e a dinâmica climática. Ironicamente, enquanto o aquecimento global tira férias, aumenta a preocupação dos círculos de interesses que gravitam ao redor desse cenário anti-científico, com a preservação dos múltiplos benefícios que têm extraído dele, na casa das centenas de bilhões de dólares, distribuídos entre o mercado de créditos de carbono, equipamentos e serviços de seqüestro e captura de carbono, mecanismos de “desenvolvimento limpo”, verbas de pesquisa, conclaves internacionais e uma vasta coleção de et cetera.
Quiçá, se as temperaturas continuarem se recusando a subir, nos próximos anos, grande parte desses círculos terá que procurar atividades mais sintonizadas com o mundo real, tanto em termos científicos como econômicos.

Movimento de Solidariedade Íbero-americana
24/01/2012
Adaptado por HUSC