segunda-feira, 20 de maio de 2013

Planeta terra cada vez mais sobre pressão!



O título dessa postagem é o mesmo que o Jornal O Dia utilizou para sua matéria absurda sobre aquecimento global. E o fragmento está aí acima. 
Segundo o periódico, que publicou a notícia no ultimo dia 19, a quantidade de dióxido de carbono nunca foi tão alta em 4 milhões de anos. Aproximadamente 400 ppm.
Claro, a não ser que os editores do jornal tenham esquecido que as medições pelo método de Petenkoffer marcaram mais de 400 ppm de dióxido de carbono duas vezes durante o século XIX. Bom, se ninguém avisou eles, sugiro que revisem suas fontes.
Veja a absurda notícia completa nesse link.
Confira logo a abaixo a análise crítica da notícia, feita por Igor Maquieira. Gestor Ambiental erradicado no Rio de Janeiro e que não deixou pedra sobre pedra.
“Começaram a divulgar as patifarias na mídia em geral. Maior concentração de CO2 da história 400 ppm??? Mas se esquecem que isso representa apenas 0,4% de todo o CO2 do planeta. Se esquecem de divulgar que esses dados são de Mauna Loa, que fica no topo de um vulcão no Hawaii e colado no Oceano Pacifico (grande emissor de CO2). Se esquecem de divulgar que no período Criogêniano as concentrações de CO2 chegaram aos incríveis 14,000 ppm devido aos vulcanismo - hoje temos cerca de 550 ativos (basta 1 desses entrar em erupção para ultrapassar toda a atividade industrial do mundo produzida em 1 ano). Se esquecem de divulgar que menor deposição de neve na Geleira Columbia, tem muito mais haver com resfriamento do que com aquecimento; pois quando está mais frio chega menos umidade no verão, causando uma diminuição na quantidade de neve. Ou seja, isso não quer dizer nada! Lembrem-se que as temperaturas dos interglaciais foram de 6º a 10ºC superiores às temperaturas atuais e a concentração de CO2 inferior a 300ppm. (Nature, nov, 2009). E como a mídia gosta de mentir, devia revelar que em 2007 o biólogo alemão Ernest Beck, realizou medições e comprovou que a concentração de CO2 ultrapassou e muito 380 ppm (partes por milhão) em 1820(420 ppm) e 1940(450 ppm), anos estes que a atividade industrial era baixíssima e fato que o IPCC gosta de ignorar em seus relatórios. Cadê a influência humana? Os fluxos naturais de carbono entre os oceanos, vegetação e solos (incluindo os vulcões) totalizam 200 bilhões de toneladas por ano, sendo o homem responsável pela liberação de 6 bilhões; ou seja, uma porcentagem insignificante para correlacionar mudanças no clima com emissões antrópicas.Nos últimos 200 anos a concentração de CO2 ultrapassou essa marca “histórica” de 400ppm. No final da Era Mesozoica  particularmente no Cretáceo (entre 145 e 65 milhões de anos atrás), os níveis de gás carbônico atingiram valores quatro vezes maiores que os níveis do final da Revolução Industrial, chegando a temperatura nos pólos há mais de 10ºC e a média em todo planeta passava dos 38ºC. Porém, não era o CO2 o principal fator e sim a atividade solar extrema que estava entre 3% e 6% superior a atual, produzindo o menor número de nuvens possíveis. A mídia realiza o culto da desinformação chegando até suas casas, com informações curtas e rápidas para não gerar questionamentos no público leigo, apresentando dados falaciosos.
E agora caro leitor, será que o Jornal “O dia” estava enganado? Sim ou claro?
Abraços tropicais.

Fakeclimate
20/05/2013

OEA sugere possível legalização da maconha nas Américas



Um relatório sobre drogas divulgado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) na noite de sexta-feira na Colômbia sugere a possibilidade da legalização da maconha no continente americano.


O documento é o primeiro de uma organização multilateral a admitir a possibilidade de legalização. A OEA reúne os 35 Estados independentes das Américas.

O estudo da organização concluiu que a questão do uso de drogas deveria ser tratada primordialmente como uma questão de saúde pública e que os usuários deveriam ser tratados como doentes, não processados criminalmente.O relatório foi entregue pelo secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anfitrião da Sexta Cúpula das Américas, realizada no ano passado, quando se encomendou o relatório para analisar a chamada "guerra às drogas".

O documento também destaca as grandes somas de dinheiro que poderiam ser poupadas pelos governos com a reavaliação da guerra às drogas.
Apesar disso, o relatório diz que não há apoio suficiente entre os países membros da OEA para a legalização das drogas ilícitas consideradas mais sérias, como cocaína e heroína.

Discussões políticas


"O relatório que a OEA nos entregou hoje é uma peça importante para a construção de um caminho que nos permita enfrentar esse problema", afirmou o presidente colombiano, um dos principais defensores de mudanças na guerra às drogas. "Agora que o trabalho real começa, que é a discussão (do relatório) no nível político", disse.
"Vamos deixar claro que ninguém aqui está defendendo nenhuma posição, nem legalização, nem regulação, nem guerra a qualquer custo. O que precisamos fazer é usar estudos sérios e bem considerados como esse que a OEA nos apresentou hoje para buscar melhores soluções", disse.
Insulza, por sua vez, disse que o objetivo do relatório era "não esconder nada" e mostrar como o problema das drogas "afeta cada país e região, o volume de dinheiro que as drogas fazem circular e quem se beneficia dele, mostrar como as drogas corroem a organização social, a saúde pública, a qualidade do governo e até mesmo a democracia".
O relatório chama a atenção para o fato de que as Américas são a única região do mundo na qual todas as etapas relacionadas às drogas estão presentes: cultivo, produção, distribuição e consumo.
Além disso, indica o documento, a região concentra aproximadamente 45% dos usuários de cocaína do mundo, cerca de 50% dos usuários de heroína e um quarto dos consumidores de maconha.
O consumo de drogas no continente gera, segundo a OEA, US$ 151 bilhões anuais somente com a venda do produto.
"A relação entre as drogas e a violência é uma das muitas causas de temor entre nossos cidadãos e contribui para tornar a segurança uma das questões mais preocupantes para os cidadãos de todo o hemisfério", afirmou Insulza. "Esta situação precisa ser enfrentada com maior realismo e efetividade se quisermos avançar", disse.

18/05/2013
BBC Brasil

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Hortaliças tradicionais de volta à mesa


Epamig faz trabalho junto a produtores em cidades do interior de Minas


Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) estão desenvolvendo estudos com hortaliças não convencionais que eram encontradas nos quintais das casas, mas que perderam espaço na culinária.



Essas hortaliças são aquelas presentes em determinadas localidades ou regiões, que compõem pratos regionais, como frango com ora-pro-nóbis, taioba refogada e doce de batata-doce. São pratos de preparo simples e alto valor nutricional. Entretanto, com uma mudança de comportamento alimentar, essas plantas passaram a ter expressões econômicas e sociais reduzidas e perderam espaço para outras hortaliças.



Com o objetivo de buscar o resgate no cultivo dessas hortaliças e o uso na culinária, a Epamig, em parceria com a Emater-MG, estão conduzindo pesquisas e transferência de tecnologias nessa área. Atualmente, está em desenvolvimento o projeto "Avaliação de sistemas orgânicos no cultivo de hortaliças não convencionais", com recurso da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), na Fazenda Experimental Santa Rita, em Prudente de Morais, Região Centro-Oeste de Minas Gerais.



De acordo com a coordenadora do projeto e pesquisadora da Epamig, Marinalva Woods Pedrosa, o objetivo é avaliar o sistema orgânico de cultivo, sem agrotóxicos, de hortaliças como azedinha, taioba, e ora-pro-nóbis, visando a produção de tecnologias para essas espécies. "Essas espécies já são cultivadas na região, são de fácil cultivo e ricas em nutrientes", explica.



Segundo a pesquisadora, a proposta é incentivar a produção dessas hortaliças através de práticas ecologicamente mais equilibradas e que contribuam para promoção da sustentabilidade social, ambiental e econômica. "A partir desse trabalho foram instalados 28 bancos de hortaliças não convencionais em diversas comunidades do estado, sendo que três desses bancos estão em Fazendas Experimentais da Epamig, em São João del-Rei, Prudente de Morais e Oratórios", afirma.



O Programa "Bancos Comunitários de Multiplicação e Conservação de Hortaliças Não Convencionais" visa o resgate de diversas dessas espécies e também a multiplicação. Este trabalho é desenvolvido em parceria pela Epamig, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Embrapa, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Emater-MG e prefeituras municipais. Na Fazenda Experimental, em Prudente de Morais podem ser encontradas no banco de germoplasma mudas e sementes de hortaliças de diferentes espécies, como: araruta, azedinha, almeirão-de-árvore, cará-do-ar, cansanção, feijão mangalô, jacatupé, mangarito, ora-pro-nóbis, peixinho, vinagreira. Algumas dessas hortaliças foram distribuídas para produtores familiares da região que já cultivavam hortaliças convencionais e pretendiam diversificar a produção.



História - O produtor Argentino Faria, que participa do projeto de hortas urbanas em Sete Lagoas, afirma que essas hortaliças são fontes de diversificação de renda. "Produzo azedinha, taioba e ora-pro-nóbis. Vendo um pouco de tudo e também sou consumidor dessas verduras", conta. Com a orientação de extensionistas da Emater-MG os produtores que integram a Associação de Produtores Urbanos de Hortaliças de Sete Lagoas praticam cultivo sem o uso agrotóxicos e com adubação orgânica. "Misturo restos de plantas da horta com cal e faço um composto orgânico. Esse é meu adubo", explica.



Para a chef de cozinha do restaurante Gôndola, Maria Alves, essas espécies há muitos anos fazem parte do cardápio do restaurante. "Diariamente, enfeitamos pratos típicos com flores da capuchinha. As flores apresentam sabor picante e dão um toque todo especial às receitas". Maria, que há mais de 10 anos coordena a cozinha do Gôndola, conta que recebem clientes estrangeiros que querem conhecer receitas da região. "Preparamos pratos sofisticados com essas hortaliças, como risotos com ora-pro-nóbis, suflê de taioba, pesto de azedinha, dentre outras receitas".



Em Belo Horizonte, essas hortaliças tradicionais podem ser encontradas em mercados e feiras de diversas regiões da cidade. Na região centro-sul, o Mercado Central e o Mercado Novo oferecem varejo e atacado dessas folhosas. Já a Feira dos Produtores atende os consumidores da região Nordeste da Capital. A consumidora Rita Silva Losquiano, freqüentadora assídua da feira, conta que essas hortaliças compõem as refeições em sua residência. "Na minha casa consumimos taioba refogada e salada de várias outras hortaliças tradicionais. Na minha infância tínhamos essas plantas no quintal de casa. Hoje moro em apartamento e não cultivo essas folhosas, mas as adquiro no mercado", disse. Sebastião Parreiras da Silva, feirante desde 1981, disse atender donas de casas e também restaurantes em sua banca na Feira dos Produtores.



Quem se interessar em cultivar hortaliças em sua propriedade poderá participar do curso de hortaliças não convencionais, ministrado pela pesquisadora Marinalva Pedrosa, que será realizado durante a 6ª Semana de Integração Tecnológica, em Prudente de Morais, no próximo dia 21 de maio.


17/05/2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Plantas Daninhas: O custo da resistência





Compondo o custo total, incluindo buva e azevém no Rio Grande do Sul, por causa da resistência, o gasto é de quase R$ 1 bilhão



A transgenia trouxe muitas vantagens ao homem do campo, mas também muitos problemas que hoje são difíceis de ser solucionados. O uso inadequado do glifosato, levou a resistência de algumas plantas daninhas que tem sido um grande causador do aumento no custo de produção. Os prejuízos com azevém e buva no Rio Grande do Sul, somados, chegam a quase R$ 1 bilhão.



O pesquisador da Embrapa Trigo, na área de Plantas Daninhas, Leandro Vargas explica que antes do surgimento da soja RR havia alguns problemas com relação a plantas daninhas e, a transgenia veio para solucionar a resistência aos herbicidas convencionais. No Rio Grande do Sul, a soja RR chegou em 2000 e, três anos depois já foi identificada a primeira resistência ao azevem. A partir disso, começou a se fazer alguns manejos, mas como a soja RR só foi oficializada em 2005, foram quase cinco anos em que não se pôde fazer muitos avanços tecnológicos. Nem mesmo os produtores relatavam os problemas, porque se tratava de uma soja contrabandeada da Argentina. E assim, o azevem se alastrou por todo o Estado, ficando restrito ao Sul do país, devido ao clima frio.



Em 2005, surgiu a segunda espécie resistente que foi a buva. Iniciou em Cruz Alta e se dispersou rapidamente pelo Estado, porque uma planta de buva produz mais de 200 mil sementes e é facilmente carregada pelo vento, assim, se dispersou também para Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. “A buva é um produto de exportação do RS”, declara Vargas.



O pesquisador explica que as plantas daninhas ocorrem em épocas diferentes, mas são igualmente agressivas. O azevem é de inverno atingindo culturas de inverno e a buva germina em julho e agosto, atingindo a soja e o milho.



No Rio Grande do Sul, cerca de 80% da área cultivada possui azevem e, 86% da área de soja tem buva, sendo que são 4 milhões de hectares com soja. O pesquisador diz ainda que a maior parte das áreas que tem azevém, também há buva.



Custos



O controle da buva varia de R$ 4,00, a R$ 153,00 por hectare e do azevem entre R$ 40 a R$ 130,00/ha. Compondo o custo total, incluindo buva e azevém no Rio Grande do Sul, por causa da resistência, fica entre R$ 112,9 milhões a R$ 928,2 milhões. “O gasto de quase R$ 1 bilhão no Estado, encarecendo o custo de produção devido a resistência. O lucro do produtor acaba se dissipando”, observa.



Glifosato



O pesquisador da Embrapa Trigo lembra que quando a soja RR entrou no mercado, todos agricultores começaram a usar o glifosato. E isso acontece se surgir outra tecnologia e for utilizada repetidamente também vai se tornar ineficiente. “O glifosato foi usado de forma inadequada”, observa.



Perspectiva de cultivares tolerantes a herbicidas no Brasil
Entre os temas que vão ser abordados no Encontro Nacional sobre Resistência de Plantas Daninhas, que aconteceu na quinta-feira (9) em Passo Fundo estava as novas tecnologias e o que há de novidade e suas vantagens. “Mas não temos nada de novidade, esse é o recado. O produtor rural precisa fazer manejo integrado, porque no curto prazo não há uma nova alternativa tecnológica que visa a solução da resistência de plantas daninhas”, acrescenta.



Vargas explica que antes da soja RR, os produtores rurais seguiam uma série de práticas de manejo, evitando a dispersão de plantas daninhas, utilizava culturas com espaçamento reduzido, controle mecânico, sempre associado ao controle químico. Hoje, o com o glifosato, o produtor depositou toda força no químico e deixou de lado o controle cultural, controle preventivo. Esqueceu de associar estratégias de manejo e ainda, parou de fazer a rotação cultura.



No encontro também foi explicada a importância das culturas de cobertura de solo. “Para ter o controle de buva e azevem, tem que manter o solo sempre coberto, cultivar área no inverno, com aveia por exemplo. Deixando em pousio, a área ficará tomada pelo azevem e buva e não temos herbicidas para controlar isso. Tem que cobrir essa área e não dar espaço para plantas daninhas crescerem e se desenvolverem”, ressalta o pesquisador.



Milho RR



O milho RR também teve em destaque no encontro. Se trata de uma nova ferramenta, porém, se os produtores começarem a usar soja RR seguida de milho RR, vai ocasionar um aumento no número de plantas resistentes ao glifosato. O milho RR está no mercado há cerca de dois anos, mas os produtores não estão fazendo alternância de herbicida e sim, usando culturas resistentes ao glifosato. “Assim só vai piorar a situação e vamos acabar perdendo o glifosato”, alerta.



Com essas resistências, o pesquisador diz que é importante perceber que o Plantio Direto está sendo colocado em risco. “Por isso fazemos a pergunta, será que precisamos de milho RR?”, questiona, acrescentando que “quando se faz o custo de controle do milho convencional e RR, eles ficam muito próximos, em alguns casos o milho RR é até mais caro. É uma tecnologia que chega, mas que faz nos perguntar se vale a pena, porque ela traz o problema de induzir ao uso de mais glifosato, sendo que queremos reduzi-lo, ir pelo caminho oposto”, ressalta.

14/05/2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

40 anos de Plantio Direto


O Paraná foi precursor na experimentação desta que é considerada a mais importante tecnologia implantada na agricultura brasileira





A região de Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná) é a segunda na história do Plantio Direto no Brasil. A primeira é Rolândia onde o agricultor Herbert Bartz, considerado o “pai do plantio direto no Brasil” fez na safra 1972 o primeiro plantio da história com a importação de uma plantadeira dos Estados Unidos, Allis Chalmers. Depois, vieram os municípios de Campo Mourão (safra 1973), Mauá da Serra (1974) e Ponta Grossa (1976).

Desta maneira, o Paraná foi precursor na experimentação desta que é considerada a mais importante tecnologia implantada na agricultura brasileira. Herbert Bartz foi aos Estados Unidos, conheceu a técnica e a trouxe para o Brasil, que foi difundida para várias regiões produtoras.

PRECURSORES - Poucas tecnologias agrícolas têm experimentado um crescimento tão rápido em nível mundial como o plantio direto. Em Campo Mourão, a segunda região no país a praticar o sistema, o pioneirismo foi dos agricultores Joaquim Peres Montans, Antonio Álvaro Massareto e Ricardo Accioly Calderari, Gabriel Borsato e Henrique Gustavo Salonski (in memorian), – cooperados da Coamo. Em 2013, a tecnologia está comemorando 40 anos na região Centro-Oeste do Paraná, com o orgulho de ter sido o segundo município a implantar o sistema no Brasil.

INÍCIO – O engenheiro agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão, conta que o sistema de PD surgiu diante da necessidade de tornar a produção agrícola mais sustentável, buscando minimizar os custos com insumos e otimizar o aproveitamento da área de plantio. “Felizmente, este objetivo foi atingido e está completando 40 anos. Foi o grande acontecimento de exploração agrícola. É o que a ciência agronômica ofereceu de mais importante até hoje, do ponto de vista biológico, químico e físico do solo”, considera Costa. Ele acrescenta que o plantio direto é considerado como a única alternativa para a sustentabilidade da agricultura.

VANTAGENS - Com o plantio direto, o agricultor fecha o cerco contra os principais problemas que degradam o solo e ainda incrementa o sistema de produção resultando na melhoria das produtividades e racionalização dos custos. Entre as vantagens estão a garantia de redução da lixiviação de nutrientes (processo de extração de uma substância de sólido por meio da dissolução num líquido) e da erosão superficial do solo, a manutenção da vida microbiológica do solo e a garantia de uma melhor atividade dos adubos químicos e de que todas as reações químicas no solo sejam bem sucedidas. “Além é claro da questão econômica, já que o sistema consiste em reduzir o impacto ambiental causado pela agricultura”, explica.

No final da década de 70, a região de Campo Mourão contava com dez mil hectares de PD. Mas, foi a partir dos anos 80 que a tecnologia teve o seu grande momento. “Em 1984 já tínhamos catalogado na região de Campo Mourão cerca de 60 mil hectares de lavouras em PD. Hoje, o sistema ocupa praticamente 100% das áreas de cultivo da região”, comemora Costa.

Os precursores do PD na região de CM

Os resultados com o PD foram comprovados e melhorados ano após ano. Exemplo eficaz do incremento de produtividades nas lavouras da região com o uso da tecnologia está na propriedade de Joaquim Peres Montans. Ele conta que nunca mais teve suas terras aradas ou gradeadas e que na colheita de 1974 suas produtividades foram de 70 sacas de soja por alqueire, mas atualmente a média supera as 140 sacas por alqueire. “O segredo é a continuidade do sistema e não mexer no solo”, explica Montans. Orgulhoso em fazer parte deste pioneirismo no Brasil, ele afirma que o plantio direto é um revolução para os agricultores. “Hoje, 40 anos depois, com novas variedades e praticando adubação verde, rotação de culturas é uma técnica de vanguarda, podemos elevar ainda mais nossas produtividades”.

TERRAS LAVADAS - Quem comemora o sucesso da agricultura com o advento do Plantio Direto é o engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari, diretor-secretário da Coamo. “O progresso foi tão grande nos últimos 40 anos que os novos agricultores nem imaginam como eram os solos e a agricultura lá na década de 70”, diz. Calderari lembra que os agricultores na época, tinham duas grandes preocupações: precisavam de chuva, mas quando chovia, às vezes nem precisava ser muito forte, para que as terras fossem literalmente ‘lavadas’ e tudo se perdia, a lavoura e o solo. “Se existe agricultura hoje é porque existe o plantio direto”, conta.

Após quatro décadas da sua implantação, o sistema continua safra após safra sendo comemorado pelos agricultores da região de Campo Mourão. Entre os benefícios dele estão a tranquilidade e agilidade no plantio, reserva de umidade no solo, menor custo de produção, maior segurança, germinação uniforme, desenvolvimento das plantas em um mesmo padrão, tolerância ao veranico e, sobretudo, a conservação dos solos, aponta o cooperado Joaquim Montans.

SEQUESTRO DE CARBONO – O sequestro de carbono é o processo de transformar o carbono do ar (dióxido de carbono ou CO2) em acumulações de carbono no solo. O dióxido de carbono é absorvido pelas plantas através do processo de fotossíntese, e transformado em material vegetal vivo. Quando as plantas morrem, suas folhas, caules e raízes que têm bases de carbono se deterioram no solo e se transformam em substância orgânica. Para aumentar o sequestro de carbono os produtores rurais podem utilizar diversas práticas, dentre as quais estão a produção sem revolvimento do solo (plantio direto); o aumento na intensidade da rotação de culturas, a manutenção de uma área de transição entre áreas protegidas e a lavoura; medidas de conservação para reduzir a erosão do solo, além de usar cobertura permanente no solo e fazer plantio de culturas que produzam mais resíduos, como milho, sorgo e trigo. Especialistas estimam que 20% ou mais das emissões de CO2 podem ser reduzidas por meio do sequestro de carbono via agricultura.

MATÉRIA ORGÂNICA - Além de conservar e proteger o ambiente produtivo, a prática do Plantio Direto, sempre com rotação de culturas e formação de muita palha, aumenta a matéria orgânica no solo em função de vários fatores, elencados pelo engenheiro agrônomo Ricardo Accioly Calderari. “O Plantio direto melhora a estrutura, a qualidade e a produtividade do solo por meio de substância orgânica, reduz a erosão, melhora a qualidade da água. O uso do plantio direto foi determinante para ampliar o potencial do nível de matéria orgânica no solo, por isso é que o sistema é a maior revolução da agricultura e do meio ambiente”, garante Calderari.

AGROLINK
Da redação
10/05/2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

James Hansen: carvão reduz aquecimento global



carvao2

O leitor deve estar se perguntando se não houve um equívoco, pois, geralmente, o argumento é o oposto: mais carbono na atmosfera implica em elevações da temperatura global. Mas o versátil Hansen tem uma explicação. Segundo ele, tal fenômeno se dá pelo fato de que a maior presença de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera está estimulando o crescimento da vegetação no planeta, o que, por sua vez, resulta num maior consumo de CO2 atmosférico e a consequente redução das concentrações do gás na atmosfera. Em um artigo recém publicado na revista Environmental Research Letters (Vol. 8, No. 1, “Climate forcing growth rates: doubling down on our Faustian bargain”), Hansen afirma:

«Sugerimos que o aumento do uso de combustíveis fósseis, principalmente o carvão, desde o ano 2000, é a causa básica do grande aumento da absorção de carbono pelos consumidores terrestres e aquáticos desse elemento. Um dos mecanismos pelos quais as emissões de combustíveis fósseis aumentam a absorção de carbono é a fertilização da biosfera… que desempenha um papel crítico no controle da produtividade primária líquida e é limitada em diversos ecossistemas.»

No estudo, ele também reconhece que, apesar do aumento das emissões nos últimos anos, a taxa de crescimento das concentrações de CO2 na atmosfera tem declinado nos últimos 50 anos, sendo que a queda tem se acentuado desde o ano 2000. Ou seja: os processos naturais estariam compensando os aumentos das emissões. Tais conclusões são ainda mais surpreendentes, por virem daquele que um dia já declarou que «os trens que levam carvão para as termelétricas são trens da morte. As termelétricas a carvão são fábricas da morte» (tucsoncitizen.com, 1/04/2013).

Além disso, Hansen também destacou que o efeito estufa resultante das emissões humanas de CO2 foi muito inferior ao projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a despeito de o aumento das emissões de carbono ter superado o previsto pela entidade. Todavia, ele ainda insiste em situar o CO2 como sendo o principal fator de influência na temperatura global, apesar de não haver qualquer evidência física neste sentido – mesmo porque um número crescente de evidências sugere que fenômenos cósmicos têm muito mais importância na definição da temperatura terrestre.

O mais irônico é que, diante da constrangedora constatação de que as temperaturas globais não aumentam desde o final do século passado, Hansen recorra a um argumento frequente dos críticos do “aquecimentismo”, o fato reconhecido de que o CO2 é o “gás da vida” e que a biosfera como um todo – homem inclusive – tende a reagir positivamente ao aumento das suas concentrações na atmosfera. Ademais, com argumentos do gênero, ele recorre ao conhecido truque de seus pares, de atribuir ao aquecimento global antropogênico uma pletora de fenômenos, inclusive, opostos – o que, segundo os consagrados critérios estabelecidos pelo filósofo da ciência Karl Popper, torna a hipótese “infalsificável”, ou seja, à prova de contestação, elevando-a à condição de artigo de fé, e não uma formulação científica. Mas, para Hansen e seus acólitos, a precisão científica em suas atividades importa bem menos do que os fluxos de financiamento para elas.

MSIa Informa _ Vol. IV, nº 38, 05/04/2013

IAC desenvolve sistema inédito, que muda o conceito de plantar cana



O Instituto Agronômico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, desenvolveu sistema inédito que muda o conceito de plantar cana-de-açúcar





O sistema de Mudas pré-brotadas (MPB) de cana é uma tecnologia de multiplicação que poderá contribuir para a produção rápida de mudas, associando elevado padrão de fitossanidade, vigor e uniformidade de plantio.

Outro grande benefício está na redução da quantidade de mudas que vai a campo. Para o plantio de um hectare de cana, o consumo de mudas cai de 18 a 20 toneladas, no plantio convencional, para 2 toneladas no MPB.

"Isso significa que 18 toneladas que seriam enterradas como mudas irão para a indústria produzir álcool e açúcar, gerando ganhos", explica Mauro Alexandre Xavier, pesquisador do IAC.

A nova tecnologia desenvolvida pelo Programa Cana do IAC é direcionada a aumentar a eficiência e os ganhos econômicos na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e possivelmente renovação e expansão de áreas de cana-de-açúcar. "Trata-se de um novo conceito no método de multiplicação da cana-de-açúcar, reduzindo volume e levando para o campo efetivamente uma planta", diz Xavier, integrante do Programa Cana IAC.

O MPB muda o conceito de multiplicação de mudas. Até então é usado o sistema convencional, adotado desde a chegada das primeiras canas ao Brasil, por volta de 1.530. "No convencional, abre-se o sulco e põe colmo semente dentro. Agora propomos colocar a planta", afirma.

A tecnologia do MPB permite mudar a forma de produção de mudas. No lugar dos colmos como sementes, entram as mudas pré-brotadas que são produzidas a partir de cortes de canas, chamados minirrebolos -- onde estão as gemas. Depois passam por uma seleção visual e são tratados com fungicida. São colocados em caixas de brotação com temperatura e umidade controlada, e ao final colocadas em tubetes que passam por duas fases de aclimatação. O ciclo completo leva 60 dias.

"As falhas ocorridas nas áreas de plantios decorrem da falta de uniformidade de diversos fatores do sistema atual, muitas vezes deve-se ao uso excessivo de mudas que brotam e acabam competindo por água luz e nutrientes", explica o pesquisador. Já o novo método aumenta a uniformidade nas linhas de plantio e, consequentemente, reduz as falhas.

O sistema envolve a formação de viveiros para multiplicação rápida de novos materiais de cana. É um método simples que pode ser adotado por pequenos produtores e associações, não ficando restrito às usinas. De acordo com o pesquisador, o MPB restaura os benefícios da formação de mudas em viveiros, procedimento que fora praticamente esquecido com o boom do setor, apesar de gerar benefícios como aspectos fitossanitários da planta.

Dentre as principais vantagens do sistema estão o menor volume de mudas a ser transportado para o campo de plantio e o grande salto na qualidade fitossanitária das mudas. O MPB está sendo adotado em várias regiões brasileiras. "Pela simplicidade do método e suas variações, está bem distribuído, o MPB já está em Goiás e região Central de São Paulo, muitos produtores de inúmeros Estados deverão adotar o método no curto e médio prazo", diz o pesquisador do IAC.

Na Agrishow 2013, o público pode ver duas variedades de cana IAC plantadas no sistema convencional e no MPB, a IACSP95-5094 e a IACSP95-5000. Entretanto, como o plantio foi feito em janeiro passado, ainda é cedo para identificar grandes diferenças. "No MPB ocorrerá a partir dos 150 dias após o plantio um aumento no número de colmos industrializáveis", diz.

O MPB contribui para reduzir as ocorrências de pragas e doenças na implantação do canavial por usar mudas sadias. "Desde 2009, o Programa Cana IAC optou por não entregar mais colmos "semente" para multiplicação e instalação de sua rede experimental. Desde então vem desenvolvendo o sistema MPB", afirma Xavier. A tecnologia surgiu da necessidade de entregar um material não convencional de colmos, para tentar evitar a disseminação do Sphenophorus levis, uma importante praga da cana-de-açúcar.

Até meados da década de 1980, o besouro Sphenophorus Levis estava restrito à região de Piracicaba, mas atualmente é observado em praticamente todo o Estado de São Paulo, Minas Gerais e norte do Paraná. É muito provável que esta praga também já esteja em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, embora ainda não haja registros de ocorrência. As preocupações se justificam porque as larvas causam acentuada destruição das soqueiras, provocando redução de produtividade e de longevidade do canavial.

Ainda dentre os benefícios do sistema, destaca-se o uso de maquinários. A plantadeira em uso no MPB é muito mais barata que as utilizadas no sistema convencional, há produtores usando máquinas que plantam eucalipto. É possível que esse novo sistema estimule a movimentação na indústria para desenvolvimento de máquina específica e compatível ao MPB.

O MPB permite alcançar aumento de eficiência e ganho econômico na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e expansão e renovação de áreas plantadas de cana-de-açúcar. Entretanto para a implantação do sistema em grande escala é necessário o esforço e cooperação entre instituições de pesquisa de melhoramento genético, fitotecnia e mecanização para a plena viabilização do plantio em área comercial. "Penso que deveria haver um esforço na formação de uma grande rede de experimentação que possa desenvolver um pacote fitotécnico que gere sustentabilidade para esse novo método de plantio de cana-de-açúcar", considera.

Carla GomesFernanda DomicianoMônica Galdino
06/05/2013

Fonte Original:

Instituto Agronômico
Assessoria de Imprensa do IAC
Carla Gomes, Fernanda Domiciano e Mônica Galdino - Jornalistas
Jhonatas Henrique Simião - Estagiário
Telefone: (19) 2137-0616
E-mail: midiaiac@iac.sp.gov.br