terça-feira, 14 de maio de 2013

Plantas Daninhas: O custo da resistência





Compondo o custo total, incluindo buva e azevém no Rio Grande do Sul, por causa da resistência, o gasto é de quase R$ 1 bilhão



A transgenia trouxe muitas vantagens ao homem do campo, mas também muitos problemas que hoje são difíceis de ser solucionados. O uso inadequado do glifosato, levou a resistência de algumas plantas daninhas que tem sido um grande causador do aumento no custo de produção. Os prejuízos com azevém e buva no Rio Grande do Sul, somados, chegam a quase R$ 1 bilhão.



O pesquisador da Embrapa Trigo, na área de Plantas Daninhas, Leandro Vargas explica que antes do surgimento da soja RR havia alguns problemas com relação a plantas daninhas e, a transgenia veio para solucionar a resistência aos herbicidas convencionais. No Rio Grande do Sul, a soja RR chegou em 2000 e, três anos depois já foi identificada a primeira resistência ao azevem. A partir disso, começou a se fazer alguns manejos, mas como a soja RR só foi oficializada em 2005, foram quase cinco anos em que não se pôde fazer muitos avanços tecnológicos. Nem mesmo os produtores relatavam os problemas, porque se tratava de uma soja contrabandeada da Argentina. E assim, o azevem se alastrou por todo o Estado, ficando restrito ao Sul do país, devido ao clima frio.



Em 2005, surgiu a segunda espécie resistente que foi a buva. Iniciou em Cruz Alta e se dispersou rapidamente pelo Estado, porque uma planta de buva produz mais de 200 mil sementes e é facilmente carregada pelo vento, assim, se dispersou também para Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. “A buva é um produto de exportação do RS”, declara Vargas.



O pesquisador explica que as plantas daninhas ocorrem em épocas diferentes, mas são igualmente agressivas. O azevem é de inverno atingindo culturas de inverno e a buva germina em julho e agosto, atingindo a soja e o milho.



No Rio Grande do Sul, cerca de 80% da área cultivada possui azevem e, 86% da área de soja tem buva, sendo que são 4 milhões de hectares com soja. O pesquisador diz ainda que a maior parte das áreas que tem azevém, também há buva.



Custos



O controle da buva varia de R$ 4,00, a R$ 153,00 por hectare e do azevem entre R$ 40 a R$ 130,00/ha. Compondo o custo total, incluindo buva e azevém no Rio Grande do Sul, por causa da resistência, fica entre R$ 112,9 milhões a R$ 928,2 milhões. “O gasto de quase R$ 1 bilhão no Estado, encarecendo o custo de produção devido a resistência. O lucro do produtor acaba se dissipando”, observa.



Glifosato



O pesquisador da Embrapa Trigo lembra que quando a soja RR entrou no mercado, todos agricultores começaram a usar o glifosato. E isso acontece se surgir outra tecnologia e for utilizada repetidamente também vai se tornar ineficiente. “O glifosato foi usado de forma inadequada”, observa.



Perspectiva de cultivares tolerantes a herbicidas no Brasil
Entre os temas que vão ser abordados no Encontro Nacional sobre Resistência de Plantas Daninhas, que aconteceu na quinta-feira (9) em Passo Fundo estava as novas tecnologias e o que há de novidade e suas vantagens. “Mas não temos nada de novidade, esse é o recado. O produtor rural precisa fazer manejo integrado, porque no curto prazo não há uma nova alternativa tecnológica que visa a solução da resistência de plantas daninhas”, acrescenta.



Vargas explica que antes da soja RR, os produtores rurais seguiam uma série de práticas de manejo, evitando a dispersão de plantas daninhas, utilizava culturas com espaçamento reduzido, controle mecânico, sempre associado ao controle químico. Hoje, o com o glifosato, o produtor depositou toda força no químico e deixou de lado o controle cultural, controle preventivo. Esqueceu de associar estratégias de manejo e ainda, parou de fazer a rotação cultura.



No encontro também foi explicada a importância das culturas de cobertura de solo. “Para ter o controle de buva e azevem, tem que manter o solo sempre coberto, cultivar área no inverno, com aveia por exemplo. Deixando em pousio, a área ficará tomada pelo azevem e buva e não temos herbicidas para controlar isso. Tem que cobrir essa área e não dar espaço para plantas daninhas crescerem e se desenvolverem”, ressalta o pesquisador.



Milho RR



O milho RR também teve em destaque no encontro. Se trata de uma nova ferramenta, porém, se os produtores começarem a usar soja RR seguida de milho RR, vai ocasionar um aumento no número de plantas resistentes ao glifosato. O milho RR está no mercado há cerca de dois anos, mas os produtores não estão fazendo alternância de herbicida e sim, usando culturas resistentes ao glifosato. “Assim só vai piorar a situação e vamos acabar perdendo o glifosato”, alerta.



Com essas resistências, o pesquisador diz que é importante perceber que o Plantio Direto está sendo colocado em risco. “Por isso fazemos a pergunta, será que precisamos de milho RR?”, questiona, acrescentando que “quando se faz o custo de controle do milho convencional e RR, eles ficam muito próximos, em alguns casos o milho RR é até mais caro. É uma tecnologia que chega, mas que faz nos perguntar se vale a pena, porque ela traz o problema de induzir ao uso de mais glifosato, sendo que queremos reduzi-lo, ir pelo caminho oposto”, ressalta.

14/05/2013

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